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Quem é Carla Zambelli, deputada que deixou Brasil após condenação pelo STF

Considerada uma das apoiadoras mais fiéis de Bolsonaro (PL), Zambelli foi eleita deputada federal em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) e reeleita em 2022 pelo PL

Da redação
DA REDAÇÃO

03/06/2025 • 14:45 • Atualizado em 03/06/2025 • 14:49

Carla Zambelli

Carla Zambelli

Foto: Marcos Corrêa/PR

A Justiça da Itália aceitou, nesta quinta-feira (26) um pedido de extradição de Carla Zambelli (PL-SP) para o Brasil. A ex-parlamentar estava presa em território italiano desde 29 de julho de 2025, após ter deixado o Brasil para viver na Europa logo após sua condenação inicial pelo STF. A alegação da deputata, na época, é que deixou o país para buscar tratamento médico, e que pediria licença não remunerada de seu mandato na Câmara para viver na Europa, onde tem cidadania.

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O anúncio da saída do Brasil ocorreu dias após Zambelli ser condenada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, além da perda do cargo, pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A expectativa agora é que a ex-parlamentar retorne ao país nas próximas semanas e fique presa na penitenciária feminina do Distrito Federal.

Ao requerer a extradição, o ministro Alexandre de Moraes, relator dos casos, garantiu que o presídio brasileiro no qual as penas deverão ser cumpridas mantém padrões de salubridade, segurança e assistência às detentas, além de oferecer atendimento médico e cursos técnicos. Ele também informou que nunca houve rebelião na penitenciária.

Quem é Zambelli

Considerada uma das apoiadoras mais fiéis do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Carla Zambelli foi eleita deputada federal em 2018 pelo Partido Social Liberal (PSL) e reeleita em 2022 pelo Partido Liberal (PL), como a segunda deputada mais votada de São Paulo.

Antes disso, Zambelli foi fundadora do Movimento Nas Ruas, que ganhou notoriedade nas manifestações pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

A deputada do PL tem 45 anos e é natural de Ribeirão Preto, São Paulo. Formada em Planejamento Estratégico Empresarial pela Universidade Nove de Julho (Uninove), atuou na área até 2015, quando pediu afastamento da empresa que trabalhava, a KPMG, para tratar um tumor no cérebro.

Além da vida política, a deputada também é registrada na profissão de escritora, tendo lançado o livro Não foi Golpe - Os bastidores da luta nas ruas pelo Impeachment de Dilma, publicado pela LVM Editora, em 2018.

Zambelli condenada no STF

Carla Zambelli foi condenada no dia 14 de maio por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de prisão, além da perda do cargo na Câmara dos Deputados, pela invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), junto do hacker Walter Delgatti Neto.

No ataque ao sistema do CNJ, em 2023, foi emitido um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. "Expeça-se o mandado de prisão em desfavor de mim mesmo, Alexandre de Moraes. Publique-se, intime-se e faz o L", dizia o documento falso.

A Polícia Federal (PF) apontou, no relatório da investigação, que documentos apreendidos com a deputada correspondem aos arquivos inseridos pelo hacker no sistema do CNJ, o que para os investigadores comprova que ela participou do ataque. Assim, a PF concluiu que o ataque foi planejado para colocar em dúvida a credibilidade do Poder Judiciário.

Ela pode apresentar embargos de declaração após a publicação do acórdão. O recurso não tem poder de alterar a condenação, mas adia o trânsito em julgado do processo. Eventual prisão precisaria ser autorizada pela Câmara.

A perda de mandato também teria que ser decidida pelos deputados. Porém, a jurisprudência do STF é que se a pena for superior a 120 dias de prisão em regime fechado, o próprio tribunal pode determinar a medida porque a Constituição prevê que o deputado perderá o mandato se faltar a um terço das sessões. Neste caso, cabe à Mesa Diretora da Câmara apenas declarar a perda de mandato.

Quando houve a formação da maioria pela condenação no dia 9 de maio, a parlamentar divulgou nota na qual externa sua "irresignação" e afirma que houve cerceamento da defesa e "inúmeras nulidades desprezadas". Ela também diz que a condenação é injusta porque não há "provas irrefutáveis e induvidosas".

Durante entrevista concedida ao vivo ao canal do YouTube AuriVerde Brasil na manhã desta terça-feira, 3, Carla disse ter escolhido a Europa como destino para poder atuar pelo fortalecimento da direita nos países da região e "resistir, voltar a ser a Carla que eu era antes das amarras que essa ditadura nos impôs".

Campanha para arrecadar dinheiro por Pix

Ainda em maio deste ano, após a sentença do STF, Zambelli afirmou ter arrecadado mais de R$ 166 mil em um dia, por meio de doações via Pix feitas por apoiadores e seguidores nas redes sociais.

O dinheiro, segundo a deputada, seria destinado para o pagamento das multas determinadas pelo Supremo.

"Se você acredita na minha luta, se entende que o que está em jogo é muito maior do que uma condenação injusta, me ajude", pediu Zambelli em publicação no Instagram no dia 20 de maio.

Ameaça com arma nas eleições de 2022

Zambelli também respondeu a outro processo no STF por perseguir um homem com uma pistola na véspera do segundo turno das eleições de 2022. A ex-deputada foi novamente condenada pelo STF pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

Em razão das condenações, ele também teve o mandato cassado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta. A medida foi determinada pelo Supremo mesmo depois do plenário da Câmara ter aprovado a manutenção do mandato. Prevaleceu o entendimento de que a pena em regime inicial fechado não é compatível com o mandato parlamentar.

Em entrevista dada no dia em que deixou o Brasil, Carla disse ter sido usada como "bode espiatório" pela derrota de Jair Bolsonaro (PL) em 2022, em especial pelo advogado Fábio Wajngarten. E que o episódio da perseguição a um cidadão de arma em punho na véspera do pleito a afastou do então presidente e a colocou em depressão.

Com informações do Estadão Conteúdo