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Quem é Carolina Arruda, jovem que busca realizar suicídio assistido na Suíça

Estudante de 27 anos sofre de condição rara que provoca "a pior dor do mundo"; cirurgias e medicamentos não trouxeram alívio

MÍLIBI ARRUDA

04/07/2024 • 15:07 • Atualizado em 04/07/2024 • 15:07

Carolina Arruda Leite, jovem que busca suicídio assistido por sofrer da pior dor do mundo

Carolina Arruda Leite, jovem que busca suicídio assistido por sofrer da pior dor do mundo

Reprodução/Arquivo pessoal

A estudante mineira Carolina Arruda Leite, de 27 anos, tem uma filha de 10 anos, um marido e o sonho de fazer medicina veterinária. Ela também organizou uma vaquinha online para juntar R$ 150 mil para conseguir uma morte digna em uma organização suíça, por meio do suicídio assistido.

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Isso porque ela convive há 11 anos com a neuralgia do trigêmeo bilateral, uma condição rara e considerada a mais dolorosa do mundo. A síndrome causa choque elétricos no rosto equivalentes ao triplo da carga de uma rede 220 volts. Depois de esgotar todas as opções médicas, ela decidiu buscar a morte assistida.

Desde a descobera, Carolina passou por diversos tratamentos e cirurgias, além de tratamentos com anticonvulsivantes, analgésicos opióides e antidepressivos, mas nenhum aliviou a dor. Atualmente, a condição da jovem é considerada refratária, ou seja, intratável.

"Sempre adorei ler, estudar e fazer atividade física. Eu queria seguir uma carreira que me permitisse ajudar aos animais, algo pelo qual sou muito apaixonada. No entanto, a dor constante tirou de mim a capacidade de fazer essas coisas, transformando meus dias em uma luta contínua", conta.

"A dor é tão intensa que torna impossível realizar tarefas diárias simples, manter relacionamentos ou mesmo encontrar prazer em atividades que antes eram parte da minha rotina".

O que é neuralgia do trigêmero bilateral

Condição rara, estudos estimam que de 4 a 13 pessoas são afetadas pela doença a cada 100 mil todos os anos. Normalmente, os pacientes descrevem os sintomas como "a pior dor do mundo".

A principal característica é uma dor lancinante súbita e intensa, que geralmente dura de alguns segundos a dois minutos, normalmente na área da mandíbula. A dor surge de estímulos do dia a dia, como mastigar, falar ou escovar os dentes.

A maioria dos casos tem origem desconhecida, mas muitos estão associados à compressão do nervo trigêmeo, um dos 12 pares de nervos do crânio que estão ligados diretamente ao cérebro.

Uma minoria dos casos acontece por conta de esclerose múltipla ou tumores. A maioria dos pacientes responde bem aos medicamentos, que primeiro é feito com anticonvulsivante.

Se o tratamento medicamentoso falhar ou não for tolerado, tratamentos cirúrgicos estão disponíveis. Além de tratamentos medicamentosos, Carolina já passou por quatro procedimentos cirúrgicos e nenhum trouxe o alívio esperado.

O que é suicídio assistido

Procedimento legalizado na Suíça desde a década de 1940, ocorre quando uma equipe médica fornece medicamentos para o procedimento, mas é o paciente que administra a dose fatal.

É diferente da eutanásia, em que os médicos administram os medicamentos letais. No Brasil, os dois procedimentos são proibidos.

Carolina busca fazer o processo através da Dignitas, organização suíça sem fins lucrativos que oferece suicídio assistido a pessoas com doenças terminais ou doenças físicas ou mentais graves.

O valor da vaquinha é para cobrir viagem e estadia até o país, além de custos médicos adicionais. Ela arrecadou cerca de R$ 43 mil dos R$ 150 mil pretendidos.

"Esta é uma decisão profundamente pessoal e dolorosa, mas acredito ser a melhor solução para acabar com o sofrimento interminável que enfrento diariamente", conta.

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