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Quem é Macário Ramos Júdice, desembargador preso na Operação Unha e Carne 2

O magistrado foi detido nesta terça-feira (16) por suposto vazamento de informações sobre a operação Zargun

Da redação
DA REDAÇÃO

16/12/2025 • 07:51 • Atualizado em 16/12/2025 • 07:51

Macário Ramos Júdice Neto

Macário Ramos Júdice Neto

Reprodução/UFES/TRF2

Resumo

A Polícia Federal prendeu o desembargador Macário Ramos Júdice Neto na segunda fase da Operação Unha e Carne, que apura o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, voltada ao combate ao crime organizado.

Macário, que expediu mandados na Zargun, é investigado por possível envolvimento no esquema, que também tem como alvo o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar, suspeito de integrar organização criminosa e obstruir investigações.

Com carreira na magistratura federal desde 1993 e promovido ao TRF-2 em 2023, o desembargador ainda tem sua participação no caso sob apuração, que segue em sigilo.

O desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), foi preso nesta terça-feira (16) pela Polícia Federal (PF) durante a segunda fase da Operação Unha e Carne, que investiga o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun.

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Segundo a PF, o foco da investigação é um suposto esquema de repasse ilegal de informações sensíveis relacionadas a operações contra o crime organizado.

Macário foi o magistrado que, em setembro, expediu o mandado de prisão do então deputado estadual TH Joias, alvo central da Operação Zargun. A apuração da PF aponta que informações da Zargun teriam sido repassadas de forma ilegal a investigados, o que motivou a deflagração da Operação Unha e Carne.

Quem é Macário Ramos Júdice Neto?

Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no sul do Espírito Santo, Macário Ramos Júdice Neto nasceu em 21 de janeiro de 1966. É graduado em Direito pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e construiu toda a sua carreira na magistratura federal.

Ingressou na Justiça Federal em 1993, após aprovação no II Concurso do TRF da 2ª Região, inicialmente como juiz federal substituto. Atuou em diversas varas federais em Vitória, em um período em que a Seção Judiciária do Espírito Santo (SJES) contava com apenas cinco varas, todas com competência plena.

Foi promovido a juiz federal titular em 1996 e, ao longo dos anos, ocupou cargos de destaque, como o de diretor do foro da SJES, entre 1999 e 2001. Durante sua gestão, foram instaladas as primeiras varas federais fora da capital capixaba, nos municípios de Cachoeiro de Itapemirim e São Mateus.

Macário também integrou o Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) como membro da classe dos juízes federais no biênio 2000–2002.

Chegada ao TRF-2

A ascensão ao cargo de desembargador federal ocorreu em 21 de junho de 2023, pelo critério de antiguidade, em vaga criada após a ampliação da composição dos Tribunais Regionais Federais, prevista na Lei 14.253/2021. No TRF-2, a estrutura passou de 27 para 35 desembargadores.

A indicação do nome de Macário foi formalizada pelo então presidente do TRF-2, Guilherme Calmon Nogueira da Gama, e escolhida por unanimidade.

Na cerimônia de posse, realizada no gabinete da Presidência do tribunal e transmitida pelo YouTube, o magistrado afirmou estar honrado em integrar a Corte e declarou: “Venho para somar e multiplicar; nunca para diminuir ou dividir”.

Conexão com Rodrigo Bacellar

Entre os alvos das buscas está o deputado estadual licenciado Rodrigo Bacellar (União Brasil), que já havia sido preso na primeira fase da Unha e Carne, no dia 3 de dezembro.

Na ocasião, Bacellar — então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) — foi detido após ser “convidado” para uma reunião com o superintendente da PF no Rio, Fábio Galvão. No carro do parlamentar, os agentes apreenderam R$ 90 mil em espécie.

Bacellar acabou sendo solto posteriormente por decisão do plenário da Alerj, mas continua sendo investigado. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de ter vazado informações sigilosas da Operação Zargun. O mandado de prisão contra ele também foi expedido por Alexandre de Moraes, que determinou ainda seu afastamento da presidência da Alerj.

Na decisão, o ministro afirmou haver “fortes indícios” de que Bacellar integraria uma organização criminosa e atuaria para obstruir investigações envolvendo facções criminosas, com influência em ações do Poder Executivo estadual.

Investigação em andamento

Com a prisão desta terça-feira, Macário Ramos Júdice Neto passa a figurar como um dos principais nomes investigados na Operação Unha e Carne. A Polícia Federal ainda não detalhou oficialmente o papel atribuído ao desembargador no suposto esquema de vazamento de informações, e o caso segue sob sigilo parcial.

O TRF-2 e a defesa do magistrado ainda não se manifestaram publicamente sobre a prisão até a última atualização desta reportagem.

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