
Sanae Takaichi deve se tornar primeira premiê mulher do Japão
Yuichi Yamazaki/Pool via REUTERS
Sanae Takaichi, uma política veterana de perfil conservador e nacionalista, foi eleita a nova líder do Partido Liberal Democrático (LDP), o partido governista do Japão. A escolha a colocou na disputa para se tornar a primeira mulher a chefiar o governo do país, mas sua nomeação, mas enfrenta uma crise política que ameaça sua confirmação no cargo.
A ascensão de Takaichi representa um fortalecimento da ala mais à direita da política japonesa, mas sua jornada até o poder agora depende da gestão de uma aliança governamental fragilizada. Entenda quem é a mulher que pode liderar o Japão e os desafios que ela enfrenta.
Carreira política
Nascida em 7 de março de 1961, na cidade de Nara, Sanae Takaichi construiu uma sólida trajetória no cenário político japonês. Eleita pela primeira vez para a Câmara dos Representantes em 1993, ela se tornou uma figura proeminente dentro do LDP ao longo de mais de três décadas de vida pública.
Antes de alcançar a liderança do partido, Takaichi acumulou vasta experiência no alto escalão do governo, ocupando postos ministeriais de grande relevância. Em sua carreira, serviu como Ministra de Assuntos Internos e Comunicações, Ministra de Estado para a Segurança Econômica e Ministra para Política de Ciência e Tecnologia, entre outros cargos.
A herdeira do legado de Shinzo Abe
A identidade política de Takaichi está profundamente ligada à figura de seu mentor, o ex-primeiro-ministro Shinzo Abe. Ela é amplamente considerada sua principal herdeira política, e sua plataforma de governo reflete o pensamento e as estratégias que marcaram os governos de Abe, especialmente na economia.
A candidata a premiê é uma defensora declarada da ‘Abenomics’, a política de agressivos estímulos fiscais e flexibilização monetária que busca combater a deflação e estimular o crescimento. Essa abordagem prioriza investimentos públicos e uma postura monetária expansionista para revitalizar a economia japonesa.
Posições conservadoras e política externa
No cenário internacional, Takaichi é descrita como uma ‘China hawk’, expressão usada para designar políticos que defendem uma postura de linha dura em relação à China. Alinhada a essa visão, ela apoia abertamente a revisão do Artigo 9 da Constituição pacifista do Japão, que impõe severas restrições ao uso de forças militares.
Suas posições em pautas sociais são marcadamente conservadoras. Takaichi se opõe publicamente ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e à permissão legal para que casais mantenham sobrenomes diferentes após o matrimônio, uma demanda antiga de movimentos feministas. Além disso, defende a manutenção da sucessão imperial exclusivamente pela linhagem masculina.
A crise que ameaça a nomeação
A crise que pode impedir sua nomeação como primeira-ministra explodiu nesta sexta-feira (10), quando o partido centrista Komeito, um parceiro minoritário essencial na coligação governamental, ameaçou abandonar a aliança. O estopim foi a insatisfação com as respostas de Takaichi a um escândalo envolvendo fundos secretos do LDP. O líder do Komeito, Tetsuo Saito, expressou publicamente seu descontentamento.
A polêmica aumentou com a aparente mudança de posição de Takaichi em relação às visitas ao Santuário Yasukuni. O local homenageia os mortos de guerra do Japão, incluindo criminosos condenados, e é visto por países vizinhos como um símbolo do passado militarista japonês. Tendo visitado o santuário diversas vezes, a possibilidade de ela cancelar uma futura visita gerou desconfiança e críticas do seu parceiro de coalizão.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

