
Ali Khamenei, líder supremo do Irã
West Asia News Agency/Handout via REUTERS
Cercada por dois porta-aviões dos EUA, tiro ao alvo de míssil que fechou o Estreito de Ormuz e ataques de Israel ao aliado do Irã, Hezbollah, a segunda reunião indireta entre iranianos e americanos, em Genebra, na véspera do mês sagrado muçulmano do Ramadã, hoje à noite, foi encerrada com “entendimentos sobre princípios”, mas sem data marcada para um terceiro encontro.
“Um porta-aviões é, com certeza, um equipamento perigoso”, comentou o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, pela manhã, “mas mais perigoso do que o porta-aviões é a arma que o pode levar ao fundo do mar”.
O presidente Trump advertiu que está com o dedo no gatilho apontado para o Irã, caso as negociações fracassem: “Não acho que eles queiram as consequências de não chegar a um acordo.” E o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu reafirmou que está muito pessimista sobre “qualquer acordo com o Irã”. Os países da região temem que um ataque provoque uma guerra regional.
As negociações, na residência oficial do embaixador do sultanato de Omã em Genebra, na Suíça, seguiram o roteiro do encontro anterior: de um lado, os representantes americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Trump, e do outro, o chanceler iraniano Abbas Aragahchi, tendo no meio o mediador omani e ministro de Relações Exteriores Badr Albusaidi
Para o Irã, as negociações devem se limitar ao programa nuclear iraniano, que tem que ser preservado para uso civil. Os EUA indicaram que querem mais, como o menor alcance para os mísseis balísticos que hoje atingem Israel, o fim da ajuda ao Hezbollah, Houthis e Hamas, e melhor tratamento aos manifestantes no Irã.
Foi no auge das manifestações de iranianos contra a carestia e o governo teocrático que o presidente Trump mandou seu primeiro porta-aviões para o Golfo Pérsico e pôs de prontidão as suas bases militares no Oriente Médio. Então, ele fez a promessa famosa, não cumprida: “A ajuda está a caminho”. Mais de três mil manifestantes foram mortos na repressão aos protestos.
Numa série de postagens no X/Twitter, aiatolá Khamenei defendeu a indústria nuclear como direito entre nações – “para agricultura, para tratamentos de saúde, e para tudo que dependa de energia”. Ele criticou como “irracional” a limitação do raio de ação de seus mísseis balísticos, alegando que, “sem armas de dissuasão, um país será esmagado por seu inimigo”.
A armada dos EUA cercando o Irã e pressionando as negociações, a Guarda Revolucionária iraniana resolveu mostrar que pode fechar o estratégico Estreito de Ormuz, por onde escoa o petróleo da Arábia Saudita, Iraque e dos Emirados, e acertar com um míssil algum navio que tente cruzá-lo. O fechamento foi precedido de alertas e do aviso de que era temporário.
“O que não está na mesa de negociações”, disse o chanceler iraniano Araghchi, “é submissão diante de ameaças”. Ele foi para a reunião desta terça-feira com “ideias reais para alcançar um justo e equitativo acordo”.
No Líbano, Israel escalou os ataques contra o Hezbollah, aliado do Irã. Os alvos, segundo o porta-voz militar em Jerusalém, foram lançadores de foguetes e arsenais. Desde o começo do mês, 12 combatentes, incluindo alguns da Jihad Islâmica, foram mortos.
O Ramadã, mês sagrado dos muçulmanos, que começa hoje à noite, tem sido sinônimo de violência na Cisjordânia. Mas, ao contrário, deve ser um mês de paz, purificação, oração, caridade, reflexão e aproximação com Allah (Deus), com jejum do nascer ao pôr do sol. Ele marca a revelação do Alcorão ao profeta Maomé.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


