Band Jornalismo

Enamed: veja o ranking dos melhores e piores cursos de medicina do Brasil

Primeira edição do exame revela abismo entre instituições públicas e privadas; 54 cursos sofrerão redução imediata de vagas.

Da redação
DA REDAÇÃO

20/01/2026 • 14:51 • Atualizado em 20/01/2026 • 14:51

Enamed - Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica - aponta as melhores e piores faculdades de medicina

Enamed - Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica - aponta as melhores e piores faculdades de medicina

Fernando Frazão/Agência Brasil

O Ministério da Educação (MEC) divulgou, na última segunda-feira (19), os resultados da primeira edição do Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica). O panorama é de alerta para o ensino médico no país: cerca de 30% dos cursos avaliados foram reprovados, ficando nas faixas 1 e 2 do Conceito Enade, consideradas insatisfatórias pelo governo.

Compartilhar

No topo da pirâmide, a excelência segue concentrada: apenas 49 cursos em todo o Brasil alcançaram a nota máxima (5).

O Domínio do Ensino Público

Os dados reforçam o protagonismo das universidades públicas (estaduais e federais). Segundo o relatório, nenhuma universidade estadual ficou abaixo da nota 3, e quase metade delas (46,2%) conquistou a nota 5.

Entre os destaques de proficiência, a UFSCar atingiu a marca histórica de 100% de proficiência entre seus alunos, seguida de perto pela UFV (98%).

As melhores (Nota 5)

São Paulo: USP (São Paulo, Ribeirão e Bauru), Unicamp, Unesp (Botucatu), Famema e Famerp.

Minas Gerais: UFMG e UFV.

Privadas de Elite: Faculdade Albert Einstein e Santa Casa de São Paulo.

Sul e Nordeste: UFCSPA (RS) e UFRN (Natal e Caicó).

O alerta vermelho: instituições com nota 1 e 2

Na base da tabela, a situação é crítica. O grupo Afya concentrou o maior volume de unidades com desempenho baixo. Instituições que figuram nestas faixas entram agora no radar de supervisão do MEC, podendo sofrer sanções severas.

Exemplos de baixo desempenho

Nota 1: Universidade Brasil (SP), UMC (SP), Nilton Lins (AM), Unicerrado (GO) e Unilago (SP).

Nota 2: Unidades do Grupo Afya (BA, MA, PI, RO), Estácio (Jaraguá do Sul), Universidade Ceuma (MA) e a Federal do Sul da Bahia (UFSB).

O que muda para o estudante e para a faculdade?

O Enamed não é apenas um selo de qualidade; ele tem consequências práticas e imediatas para a carreira médica e para a sobrevivência das instituições.

Nota de Corte: O MEC estabeleceu 60 pontos como o mínimo para que o formando seja considerado "minimamente competente".

Punições: O governo já sinalizou a redução imediata de vagas em 54 cursos que não atingiram os critérios mínimos. Em casos persistentes, pode haver a suspensão de novos ingressos.

Residência Médica (Enare): A partir de agora, o desempenho individual do aluno no Enamed será um critério central para quem deseja ingressar no Exame Nacional de Residência (Enare).

A divulgação desses dados coloca pressão sobre o setor privado de educação, que viu uma expansão acelerada de cursos de medicina na última década, muitas vezes sem o acompanhamento proporcional da qualidade acadêmica e infraestrutura hospitalar.

Tópicos relacionados