O Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, se consolida como um dos principais pontos de saída de cocaína do Brasil para o exterior. O trabalho de fiscalização da Receita Federal é intensificado para impedir o tráfico internacional, que utiliza desde "mulas" do tráfico até grandes carregamentos em cargas de exportação.
Neste ano, mais de três toneladas de drogas foram apreendidas apenas no aeroporto. Quase metade desse volume é de cocaína.
As prisões das chamadas mulas do tráfico – pessoas contratadas ou aliciadas para transportar drogas em bagagens, escondidas no corpo ou mesmo engolindo cápsulas do entorpecente – explodiram nos últimos anos no maior aeroporto do país. No entanto, uma parte significativa da droga é dissimulada em grandes cargas destinadas à exportação.
Trabalho de inteligência e o uso de cães farejadores
A Receita Federal utiliza um setor de inteligência para suspeitar e triar as cargas. Um exemplo de atuação é a inspeção de uma carga suspeita de 700 quilos de bobinas de papel que tinha como destino Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O primeiro passo da triagem é a inspeção por raio-x. O sistema de scanners permite visualizar o conteúdo das embalagens para identificar o que é inconclusivo ou suspeito.
O segundo passo envolve a ação de cães farejadores. Em um dos casos, o cão Gui, da Receita Federal, inspeciona a carga de bobinas. Após a indicação do animal, os servidores abrem as embalagens, onde notam uma alteração no produto e a presença de algo embalado por baixo. A suspeita é que 20% da carga poderia estar contaminada.
Um servidor da Receita Federal detecta um pó branco, que é submetido ao narcoteste. O teste é feito com uma pequena quantidade do produto, e o resultado "azulou", sendo positivo para cocaína. O resultado positivo leva à apreensão imediata da carga.
Os traficantes buscam enviar a droga para países onde o valor de venda é muito mais alto. Nos Emirados Árabes, o quilo da cocaína pode ser vendido por cerca de US$ 150 mil. Para comparação, na Europa, o quilo é vendido por cerca de € 35 mil a € 40 mil.
Táticas de camuflagem do tráfico
O trabalho de apreensão exige um esforço minucioso dos auditores, que precisam lidar com as tentativas de camuflagem.
Em uma outra apreensão, doze quilos de cocaína estavam escondidos em bolinhas de isopor que protegiam uma carga de vasos de decoração com destino à Austrália. A droga era compacta, colocada como um "recheio" no miolo das bolinhas, que somavam cerca de 100 mil unidades.
Os auditores precisam abrir, camada por camada, as embalagens até descobrir a droga.
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