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Rejeição de Messias é falha do governo e recado ao STF, diz especialista

A votação foi interpretada não apenas como um veto a Messias, mas como um movimento estratégico do Senado para reafirmar seu poder frente ao Executivo

Da redação
DA REDAÇÃO

30/04/2026 • 09:24 • Atualizado em 30/04/2026 • 09:24

A rejeição da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) configura um revés sem precedentes na história republicana recente. Para o cientista político Marco Teixeira, em entrevista à Band News TV, o resultado evidencia uma "articulação política do governo que falhou de uma maneira vergonhosa" e coloca o Palácio do Planalto em uma situação de fragilidade diante do Legislativo.

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Segundo Teixeira, o rito de avaliação foi comprometido por fatores que extrapolaram o mérito jurídico do candidato. O especialista aponta que a falta de diálogo prévio com as lideranças do Senado foi um erro estratégico crucial.

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"A apreciação do nome, do ponto de vista técnico, teria que de certa forma considerar o currículo. Mas o que a gente viu concretamente é que o debate eleitoral e os interesses políticos contaminaram completamente o processo", analisou o cientista político.

Dupla mensagem do Senado

A votação foi interpretada não apenas como um veto a Messias, mas como um movimento estratégico do Senado para reafirmar seu poder frente ao Executivo e ao Judiciário. Para Teixeira, a Casa enviou um recado direto sobre sua insatisfação com a atual conjuntura política.

"Acabou de certa forma usando esse veto para mandar duas mensagens: uma para o presidente da República, de que o processo não agradou a casa... e a outra para o próprio Supremo Tribunal Federal, que vem tendo há algum tempo uma relação muito desgastada com o Congresso Nacional".

Cenário de incerteza

Com o governo acumulando feridas abertas no Congresso, o especialista avalia que o Planalto terá de ser mais cauteloso na próxima escolha para evitar um novo desgaste. "O governo errou, não soube articular politicamente... e de outro lado o Senado não teve a grandeza de olhar para essa sabatina a partir da perspectiva do cargo e da trajetória do pretendente", concluiu Teixeira.

Próximos passos

Após o Senado ter rejeitado a indicação de Jorge Messias, o processo de preenchimento da vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso volta ao início. Esta é a primeira vez que um indicado do governo para uma vaga na Corte Suprema não é aprovado pelo Senado desde 1894, quando cinco nomes propostos pelo marechal Floriano Peixoto foram vetados.

Agora cabe novamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um novo nome, que passará pelo mesmo rito, definido na Constituição e no regimento interno do Senado. Isso inclui a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para avaliar se o indicado preenche os requisitos de notório saber jurídico e reputação ilibada.