
Paralisação dos caminhoneiros na Rodovia Presidente Dutra, no Rio de Janeiro, em 2018
Tânia Rêgo/Agência Brasil
A greve dos caminhoneiros de 2018 ficou marcada como uma das maiores mobilizações nacionais da história recente do Brasil — e voltou ao centro do debate com o anúncio de uma nova paralisação prevista para acontecer nesta semana, organizada por representantes da categoria.
Há sete anos, entre 21 e 30 de maio, bloqueios em rodovias de todo o país provocaram uma interrupção sem precedentes na rotina dos brasileiros: faltaram combustíveis, alimentos e insumos básicos, aulas foram suspensas, voos cancelados e diversos setores acumularam prejuízos bilionários.
Como começou?
O movimento começou após sucessivos aumentos no preço do diesel, resultado principalmente da política de preços adotada pela Petrobras na época, que seguia as variações internacionais do petróleo e do dólar. Caminhoneiros autônomos e transportadoras reclamavam que os custos operacionais haviam se tornado insustentáveis.
Sem acordo com o governo federal, motoristas começaram a bloquear rodovias em diferentes estados, desencadeando um efeito dominó. Em poucos dias, a greve já afetava praticamente todo o território nacional.
O país parou
A paralisação rapidamente levou a cenas incomuns nas grandes cidades. Postos de combustíveis ficaram sem gasolina e formaram longas filas. Supermercados registraram prateleiras vazias, hortifrútis desapareceram e aeroportos cancelaram centenas de voos por falta de querosene de aviação.
Indústrias suspenderam atividades, o transporte público foi reduzido e serviços essenciais enfrentaram dificuldades para funcionar. Estimativas posteriores apontaram prejuízos superiores a R$ 30 bilhões em diversos setores produtivos.
Negociações e retomada
Pressionado pelo caos nacional, o governo de Michel Temer iniciou negociações com representantes dos caminhoneiros. Entre as medidas anunciadas estavam:
- Redução temporária de R$ 0,46 no preço do diesel;
- Compromisso de congelar o preço por 60 dias;
- Criação de uma tabela de frete mínimo;
- Isenção de pedágio para caminhões vazios em algumas praças.
Mesmo assim, parte dos manifestantes continuou nos bloqueios, levando o governo a decretar Garantia da Lei e da Ordem (GLO) — uma medida que autorizava o uso das Forças Armadas para desbloquear rodovias.
Aos poucos, os caminhoneiros deixaram as estradas e o país voltou ao funcionamento normal.
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