
Ato após reconhecimento dos restos mortais do policial israelense Ran Gvili, que estava com o Hamas
Moti Milrod/Reuters
Com o resgate do último refém de Israel morto em Gaza, a porta da fronteira com o Egito, em Rafá, será reaberta nos dois sentidos, permitindo que 18 mil feridos e doentes saíam para tratamento, e os israelenses possam se recuperar do trauma do ataque do Hamas em outubro de 2023.
Para identificar os restos mortais do sargento Ran Gvili, 24, o exército mobilizou 20 dentistas que examinaram 250 arcadas dentárias em 24 horas. Assim que encontrado, as tropas no local cantaram o hino nacional e recitaram o Kadish, a oração para os mortos. Ele foi um dos primeiros a reagir ao ataque do Hamas e a morrer no primeiro dos 843 dias do ataque completados hoje. Será enterrado na quarta-feira. Os últimos 20 reféns vivos foram trocados por 2 mil prisioneiros palestinos, entre eles 250 servindo prisão perpétua. Cada um dos 28 reféns mortos foi trocado pelos corpos de 15 palestinos.
O presidente Trump comemorou em sua plataforma Truth Social, escrevendo: “Acabei de recuperar o último corpo de refém em Gaza. Assim, consegui resgatar TODOS os 20 reféns vivos e TODOS os mortos! Trabalho incrível! Muitos achavam que era impossível. Parabéns à minha fantástica equipe de campeões!!!”
Com a reabertura de Rafá, o plano de 20 pontos para a paz em Gaza será tocado adiante. O Hamas deve ser desarmado e entregar a administração de Gaza a um grupo de palestinos tecnocratas, monitorados por um comitê abaixo do Conselho da Paz, presidido pelo presidente Trump, com a participação dos países que o aderiram na reunião anual de Davos, na Suíça, na semana passada. Brasil foi convidado e não aderiu. Uma tropa internacional de “estabilização” deverá ser também formada.
A reabertura de Rafá vai permitir que retornem a Gaza muitos dos 100 mil palestinos que fugiram nos primeiros dias da guerra, acolhidos provisoriamente pelo Egito. Israel é contra. Quer mão única de saída. O plano de 20 pontos, em vigor há três meses, prevê um novo perímetro para as forças israelenses, hoje ocupando mais da metade de Gaza.
A possível troca de guarda levou a Associação dos Jornalistas Estrangeiros a apelar para a Suprema Corte de Israel a lhes deixar entrar, enfim, em Gaza, banidos desde o início da guerra, pela primeira vez nas guerras israelenses.
“Vemos ajuda internacional chegando diariamente à Faixa de Gaza, vemos trabalhadores humanitários internacionais, funcionários da ONU e israelenses entrando”, juntamente com funcionários do Banco Mundial, diz a petição, acrescentando “Mas jornalistas estrangeiros estão proibidos de entrar.”
O advogado do governo Yonatan Nadav afirmou que permitir a entrada de jornalistas em Gaza representa riscos para os soldados israelenses, mas concordou em descrever esses riscos apenas em uma sessão fechada do tribunal, segundo o jornal New York Times. O advogado para a União dos Jornalistas Amir Basha replicou que “os jornalistas não devem ser os últimos, devem ser os primeiros entre iguais. Devido às informações que os jornalistas oferecem ao público, não é possível que o direito do público israelense à informação seja o último da fila.”
Os progressos em Gaza coincidem com a chegada do porta-aviões Abraham Lincoln ao Oriente Médio, deixando os EUA com o número de fuzileiros navais, aviões e mísseis para um ataque ao Irã, se o presidente Trump der a ordem. O chefe do Hezbollah Naim Qassem disse pela tevê que qualquer agressão a Teerã será como se fossem atacados, “milhões de pessoas”, e reagirão “no tempo e na hora que escolhermos”. Israel está em alerta máximo para uma retaliação iraniana, se atacado pelos EUA. O premiê Netanyahu alertou o Irã para não cometer “um muito grande erro entre muitos.”
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber


