
Líbano registra 492 mortes após ataque israelense
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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, comandou nesta terça-feira (14) as primeiras conversas diretas entre Israel e Líbano realizadas em décadas para a negociação de um cessar-fogo entre os países. Segundo a agência Reuters, ambos os lados disseram ter mantido discussões positivas, embora não esteja claro se concordaram com um marco para a paz.
A reunião marcou um raro encontro entre representantes de governos que “tecnicamente” estavam em estado de guerra desde a fundação de Israel em 1948. Eles entraram nas negociações com agendas conflitantes, com Israel descartando a discussão sobre um cessar-fogo no Líbano e exigindo que Beirute desarmasse o Hezbollah.
O Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicato após a reunião dizendo que os dois lados tiveram "discussões produtivas sobre passos para iniciar negociações diretas."
Ele expôs as posições de cada país, mas não dizia que haviam alcançado algum terreno comum. "Todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em um horário e local acordados mutuamente", disse o comunicado.
“Os Estados Unidos afirmaram que qualquer acordo para cessar as hostilidades deve ser alcançado entre os dois governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não por meio de qualquer via paralela” e ressaltaram que “essas negociações têm o potencial de desbloquear uma assistência significativa para a reconstrução e a recuperação econômica do Líbano, além de expandir as oportunidades de investimento para ambos os países”, acrescentou.
Ainda de acordo com o comunicado, “Israel expressou seu compromisso de se engajar em negociações diretas para resolver todas as questões pendentes e alcançar uma paz duradoura que fortaleça a segurança, a estabilidade e a prosperidade na região.”

Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, intermedia negociações entre Líbano e Israel
O Líbano, segundo o comunicado, “reafirmou a necessidade urgente da plena implementação do anúncio de cessação das hostilidades de novembro de 2024, ressaltando os princípios da integridade territorial e da plena soberania estatal, ao mesmo tempo em que apelou por um cessar-fogo e por medidas concretas para enfrentar e aliviar a grave crise humanitária que o país continua a sofrer em decorrência do conflito em curso”.
Após a reunião de mais de duas horas em Washington, Yechiel Leiter, embaixador de Israel nos Estados Unidos, disse aos jornalistas que o governo libanês deixou claro durante as negociações que não será mais "ocupado" pela milícia libanesa alinhada ao Irã, o Hezbollah. Ele se recusou a dizer se Israel cessaria seus ataques ao Líbano.
A embaixadora libanesa Nada Moawad descreveu a reunião preliminar como "construtiva". Em um comunicato à Reuters, ela disse na reunião que pediu um cessar-fogo, o retorno dos deslocados às suas casas e medidas para aliviar a crise humanitária no Líbano causada pelo conflito.
A reunião ocorre em um momento crítico da crise no Oriente Médio, uma semana após o início de um frágil cessar-fogo entre Estados Unidos, Israel e Irã.
O conflito mais amplo na região começou com ataques EUA-Israel ao Irã em 28 de fevereiro. O Hezbollah abriu fogo em apoio a Teerã em 2 de março, desencadeando uma ofensiva israelense que já matou mais de 2.000 pessoas e expulsou 1,2 milhão de suas casas, segundo autoridades libanesas.
A presença de Rubio, principal diplomata e conselheiro de segurança nacional do presidente Donald Trump, sinalizou o desejo de Washington do progresso do fim da guerra.

