O uso crescente de medicamentos injetáveis para a perda de peso, como o Ozempic e o Mounjaro, tem desencadeado uma transformação nos hábitos de consumo e na economia. Esta mudança já é sentida no setor do vestuário, onde o encolhimento do manequim médio da população já impacta confecções e o comércio retalhista.
No Brás, tradicional polo de moda em São Paulo, lojistas já adaptam os estoques devido à queda na procura por tamanhos grandes. Enquanto algumas lojas optam por diminuir as dimensões das peças, outras enfrentam dificuldades com o excesso de estoque de numerações maiores, chegando ter queda de 50% no movimento de clientes.
Segundo especialistas, este fenômeno é transversal e já atinge milhões de homens e mulheres em todo o país. A história de Fábio ilustra bem este cenário de mudança. Após um susto de saúde com alto risco de enfarte, ele perdeu 23 kg --passando de 99kg para 75kg-- com o auxílio das canetas emagrecedoras, dieta e exercício.
A transformação refletiu-se diretamente no seu consumo: Fábio teve de renovar totalmente o guarda-roupa, passando do manequim 48 para o 42 (e, por vezes, 40). Além do impacto na moda, a redução do apetite levou-o a cortar o consumo de doces, alimentos industrializados e até o tabaco.
Perspetivas futuras e democratização
Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, destaca que o fenômeno começou na classe A, mas está se tornando transversal entre as classes econômicas. O especialista aponta que o preço ainda é o principal entrave para a continuidade do tratamento.
Contudo, a tendência é que, com a queda dos custos a longo do tempo, o impacto na economia se torne ainda mais expressivo. Esta revolução promete não se limitar ao vestuário, prevendo-se mudanças também nos setores de supermercados, bares e até na aviação.
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