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RS: Produtores denunciam juros, venda casada e suicídios em crise no campo

As denúncias foram feitas durante audiência pública no Senado, que discutiu o colapso do crédito rural no estado

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

21/11/2025 • 10:19 • Atualizado em 21/11/2025 • 10:19

Bastidores de Brasília
Produtor rural RS

Produtor rural RS

Arquivo/Agência Brasil

Produtores rurais do Rio Grande do Sul relataram nesta quinta-feira (21) casos de endividamento extremo, juros que ultrapassam 25% ao ano, venda casada e até suicídios ligados à crise financeira no campo. As denúncias foram feitas durante audiência pública no Senado, que discutiu o colapso do crédito rural no estado.

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“Mais de 30 famílias foram destruídas”, afirmou Arlei Romeiro, presidente da Associação dos Produtores e Empresários Rurais (Aper). Segundo ele, desde 2020 o setor enfrenta um “desastre silencioso”, agravado por práticas abusivas de instituições financeiras e pelo impacto das enchentes e perdas agrícolas recorrentes.

Produtores relatam abusos e apropriação de terras

Representantes do agro gaúcho apresentaram casos de contratos que, segundo eles, foram negociados sob condições ilegais ou pressionadas por bancos — como oferta condicionada à compra de seguros e outros serviços.

Produtores também afirmaram que há situações de apropriação de terras e máquinas por credores, especialmente após perdas sucessivas desde o início da década. “Chegamos a juros acima de 25%, algo impossível de pagar em qualquer cenário produtivo”, disse Romeiro.

Banco Central nega irregularidades, mas admite falhas no modelo

O Banco Central (Bacen) reconheceu que o modelo atual de crédito rural é insustentável e precisa passar por revisão. A instituição, porém, afirmou não ter identificado ilegalidades sistemáticas em operações com produtores.

Representantes do Bacen defenderam ajustes estruturais e uma distribuição “mais eficiente” dos recursos, mas negaram que haja autorização ou tolerância para práticas como venda casada e apropriação de bens fora da legislação.

Fazenda fala em escassez de recursos; arrecadação é recorde

O Ministério da Fazenda afirmou que trabalha para ampliar linhas de apoio ao setor, mas reforçou que o governo enfrenta limitações orçamentárias. A fala foi recebida com críticas por produtores, que apontam que a arrecadação federal está em níveis recordes.

Senadores presentes cobraram medidas emergenciais para evitar o agravamento da crise e pediram uma força-tarefa entre governo federal, bancos e setor produtivo.

Impacto da crise

• Perdas bilionárias acumuladas desde 2020;

• Aumento de suicídios ligados ao endividamento, segundo entidades rurais;

• Famílias deixando propriedades após tomada de bens por credores;

• Produtores afirmam que o atual sistema de crédito “empurra o campo para o colapso”.

Parlamentares prometem apresentar um pacote de propostas para reestruturar o crédito rural no país, mas não há prazo para votação.

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