
María Corina Machado, líder da oposição na Venezuela
REUTERS/Gaby Oraa/File Photo
Marco Rubio, atual secretário de Estado do governo de Donald Trump, assinou uma carta, em 2024, de indicação da líder da oposição venezuelana María Corina Machado ao Prêmio Nobel da Paz. Ela foi laureada com a honraria nesta sexta-feira (10).
Conforme o documento, a indicação de María Corina Machado foi feita em 26 de agosto de 2024 em carta enviada ao Comitê Norueguês do Nobel.
Além de Marco Rubio, o documento foi assinado pelos republicanos Rick Scott, Mario Díaz-Balart, María Elvira Salazar, Michael Waltz, Neal Dunn, Byron Donalds e Carlos Gimenez.
Na carta, os republicanos afirmam que “raramente testemunhamos tanta coragem, altruísmo e firme compreensão da moralidade como em María Corina Machado”.
“Sua liderança é fundamental para mobilizar o apoio nacional e internacional para uma resolução pacífica da atual crise de fraude eleitoral. Seus esforços incansáveis para defender eleições livres e justas e chamar a atenção para as violações dos direitos humanos que ocorrem sob o atual regime incorporam os princípios que o Prêmio Nobel da Paz busca honrar. Os esforços de Machado para trazer uma paz democrática à Venezuela beneficiam seu país, bem como a região e o mundo”, diz trecho do documento.

Assinatura de Rubio em carta de indicação de Corina Machado ao Nobel da Paz
Reprodução
A nomeação de María Corina Machado aconteceu no mesmo período em que Donald Trump manifestou publicamente seu desejo de ser agraciado com a honraria, e o acordo recente entre Israel e Hamas impulsionou sua ambição.
Indicações só são divulgadas depois de 50 anos
O Prêmio não divulga a lista de indicados nos anos em que é realizado, sendo assim, há um tempo estipulado para consultas: 50 anos.
De acordo com um comunicado divulgado pela organização do prêmio, as indicações “são um segredo bem guardado. Quaisquer rumores sobre indicados recentes são apenas boatos, ou alguém entre os indicados convidados vazou informações”.
Nobel da Paz
Maria Corina Machado, líder da oposição venezuelana, é a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025. O Comitê Norueguês do Nobel anunciou o nome na manhã desta sexta-feira (10) e justificou a escolha pelo “trabalho incansável na promoção dos direitos democráticos para o povo da Venezuela e por sua luta para alcançar uma transição justa e pacífica da ditadura para a democracia.”
O Prêmio Nobel da Paz de 2025 é concedido a uma defensora da paz, corajosa e engajada — a uma mulher que mantém a chama da democracia acesa em meio a uma escuridão crescente.
O anúncio confere um peso político e internacional sem precedentes à resistência contra o regime no país sul-americano, elevando a proeminência de Maria Corina no cenário global, especialmente após um ano em que a líder foi forçada a se esconder no próprio país devido a sérias ameaças contra sua vida pelo regime de Nicolás Maduro.
O Nobel da Paz também confere um prêmio em dinheiro no valor de 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões).
Segundo o comitê, a escolha de Maria Corina Machado não é apenas um reconhecimento pessoal, mas um ato que solidifica o apoio internacional à causa democrática na Venezuela.
O Comitê destacou que, apesar das ameaças, a permanência de Maria Corina no país inspirou milhões e uniu a oposição, ressaltando sua firmeza em resistir à militarização da sociedade e seu apoio inabalável a uma transição pacífica.
Quem é María Corina Machado
Maria Corina Machado tem liderado a luta pela democracia em face do crescente autoritarismo na Venezuela.
Ela estudou engenharia e finanças e teve uma breve carreira em negócios. Em 1992, Maria Corina criou a Fundação Atenea, que trabalha em benefício de crianças de rua em Caracas.
Dez anos depois, ela foi uma das fundadoras do Súmate, uma organização que busca promover eleições livres e justas e realizou treinamentos e monitoramento eleitoral.
Em 2010, ela foi eleita para a Assembleia Nacional, conquistando um número recorde de votos. O regime, na época comandado por Hugo Chávez, a expulsou do cargo em 2014.
Maria Corina lidera o partido de oposição Vente Venezuela e, em 2017, ajudou a fundar a aliança Soy Venezuela, que une forças pró-democracia no país, transcendendo as divisões políticas.
Em 2023, ela anunciou sua candidatura para presidente nas eleições presidenciais de 2024. Quando foi impedida de concorrer, ela apoiou o candidato alternativo da oposição, Edmundo Gonzalez Urrutia. A oposição se mobilizou amplamente e coletou documentação sistemática de que era a verdadeira vencedora da eleição. O regime, no entanto, declarou vitória.
A líder oposicionista então passou a viver escondida em seu próprio país. Segundo o Comitê do Nobel, Maria Corina está recebendo o Prêmio Nobel da Paz, antes de tudo, "por seus esforços para promover a democracia na Venezuela."
"Contudo, a democracia também está em declínio internacionalmente. A democracia, entendida como o direito de expressar livremente a opinião, de votar e de ser representado em um governo eleito, é o fundamento da paz, tanto dentro dos países quanto entre eles", escreveu o Comitê ao anunciar Maria Corina como vencedora do Nobel da Paz em 2025.
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