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Rússia reconhece Groenlândia como território dinamarquês e critica tropas

Kremlin monitora presença militar europeia no Ártico e classifica movimentação de países da aliança como 'militarização acelerada'

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

16/01/2026 • 11:25 • Atualizado em 16/01/2026 • 11:33

Groenlândia

Groenlândia

Reprodução/Band

O governo da Rússia reafirmou, nesta sexta-feira (16), que reconhece o status legal da Groenlândia como parte integrante do Reino da Dinamarca. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, descreveu a situação atual da ilha como "muito controversa" e confirmou que Moscou está monitorando de perto os desdobramentos na região ártica.

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A declaração ocorre em um momento de tensão após a chegada de tropas militares de diversos países europeus à ilha — incluindo contingentes de França, Alemanha, Reino Unido, Noruega e Suécia. O envio dos militares é visto como uma demonstração de apoio à Dinamarca, que integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). A Rússia protestou formalmente contra a medida, classificando-a como parte de uma "militarização acelerada" do Ártico.

Status jurídico e oferta dos EUA

Peskov observou que a situação em torno da Groenlândia é "incomum" e até "extraordinária" sob a ótica do direito internacional. O porta-voz destacou que Moscou tem conhecimento das negativas da Dinamarca e da própria Groenlândia sobre qualquer intenção de venda do território, ao mesmo tempo em que citou movimentações de Washington.

Segundo o Kremlin, o governo russo acompanha as declarações vindas dos Estados Unidos sobre a formulação de uma "oferta monetária para adquirir a Groenlândia". No entanto, tanto as autoridades dinamarquesas quanto as groenlandesas já rejeitaram propostas nesse sentido, reafirmando a soberania da Dinamarca sobre a ilha.

Segurança europeia e Ucrânia

Durante o pronunciamento, o porta-voz também abordou a guerra na Ucrânia, afirmando que a viabilização de um acordo é "impossível" se não houver um diálogo abrangente sobre a segurança em todo o continente europeu. "De uma forma ou de outra, as garantias de segurança tocarão nessa questão. E isso, claro, exige diálogo", declarou Peskov.

Ele classificou como "positivas" as sinalizações recentes de líderes da França, Alemanha e Itália. Para o governo russo, as posições adotadas por esses países são consistentes com a visão de Moscou e representam uma "evolução" no cenário diplomático.

Tensões no Oriente Médio

Sobre a crise no Oriente Médio, Peskov descreveu o panorama envolvendo o Irã e a região como "extremamente tenso". Ele informou que o presidente Vladimir Putin mantém esforços ativos para facilitar uma desescalada nos conflitos.

Como parte dessa ofensiva diplomática, Putin realizou conversas telefônicas nesta sexta-feira com o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visando conter o avanço das hostilidades na região.