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Sarrubbo critica reclassificação do CV e PCC pelos EUA: 'Não traz ganho'

Secretário Nacional de Segurança Pública diz que decisão americana interrompe acordos com FBI e DEA, prejudica imagem do Brasil no exterior e não tem eficácia prática no combate ao crime organizado

Da redação
DA REDAÇÃO

28/05/2026 • 23:11 • Atualizado em 30/05/2026 • 23:56

O secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, criticou a decisão do governo americano de classificar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas e afirmou que a medida vai interromper a cooperação policial entre Brasil e Estados Unidos sem trazer nenhum ganho prático no combate ao crime organizado.

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O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. "Quem está comemorando desconhece como se combate de forma eficiente o crime organizado", disse Sarrubbo.

O secretário explicou que a reclassificação transforma o tema de matéria policial em questão de defesa nacional para os Estados Unidos. Com isso, a interlocução que o Brasil mantinha com o FBI (a polícia federal americana) e a DEA (agência antidrogas) deixa de existir e passaria, em tese, para a CIA (agência de inteligência) e as Forças Armadas americanas, instâncias sem canais equivalentes de cooperação com Brasília.

"Haverá uma interrupção da cooperação internacional que prejudicará sobremaneira o combate ao crime organizado", disse.

Sarrubbo também alertou para o impacto sobre a imagem do País. Com a nova classificação, o Brasil passará a ser visto internacionalmente como um país que abriga organizações terroristas. "Isso é muito ruim para os negócios e muito ruim para o turismo", afirmou.

O secretário lembrou ainda que a legislação americana permite incursões militares em território estrangeiro quando há grupos classificados como terroristas – hipótese que classificou como "inadmissível".

Soberania e paralelo com a Venezuela

Questionado sobre um possível paralelo com a Venezuela, onde o cartel Los Soles foi classificado como terrorista antes de uma operação americana que resultou na prisão do presidente Nicolás Maduro, Sarrubo descartou um cenário semelhante no Brasil.

"Francamente, não acredito que os Estados Unidos cheguem a tanto", disse. Ainda assim, reforçou que qualquer incursão no território nacional "seria muito ruim em termos de soberania e não traria qualquer acréscimo no combate ao crime organizado".

O secretário também rejeitou o argumento de que a medida facilitaria o combate ao tráfico de drogas nos Estados Unidos. "O Brasil não manda drogas. A droga que chega nos Estados Unidos não passa pelo território brasileiro", afirmou.

"Mais midiática do que prática"

Sarrubbo destacou que o Brasil tem histórico consolidado de cooperação com Washington e nunca enfrentou barreiras nos canais existentes. Como exemplo, citou uma operação do GAECO de São Paulo que, a partir de um contato com o consulado americano, conseguiu congelar recursos de uma facção mantidos nos Estados Unidos. "Nunca houve qualquer tipo de entrave para a cooperação com o governo americano", disse.

Para o secretário, a decisão tem motivação política, não operacional. Ele avaliou que o anúncio pode estar relacionado ao cenário eleitoral americano — o governo Trump enfrenta queda de popularidade e tem eleição de meio de mandato no final do ano — e também pode servir de sinal à direita da América Latina às vésperas das eleições brasileiras.

"Essa declaração é muito mais midiática e política do que propriamente prática. Não traz nenhuma qualificação às respostas do Brasil para as facções criminosas", concluiu.