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Saúde urológica infantil: sinais que os pais não devem ignorar

Dr. Eliakim Massuqueto explica quais alterações urinárias e genitais merecem investigação na infância

9 min

01/09/2026 10:42 • Atualizado há 53 dias

Saúde urológica infantil: sinais que os pais não devem ignorar

Alterações urinárias e genitais na infância nem sempre são percebidas pelos responsáveis como situações que exigem avaliação médica. Alguns sintomas podem ser atribuídos ao desenvolvimento da criança, enquanto mudanças anatômicas acabam sendo acompanhadas por meses ou anos na expectativa de que desapareçam espontaneamente.

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Para o Dr. Eliakim Massuqueto, urologista com atuação em Urologia Pediátrica e Reconstrutiva, reconhecer determinados sinais precocemente ajuda a definir quando apenas observar é suficiente e quando uma investigação mais detalhada se torna necessária.

Entre os pontos que merecem atenção estão alterações na posição dos testículos, infecções urinárias acompanhadas de febre, dificuldades persistentes relacionadas à higiene genital, mudanças no padrão urinário e anormalidades identificadas ainda durante o pré-natal.

A avaliação, no entanto, não significa necessariamente que haverá indicação de cirurgia. Em muitos casos, o acompanhamento permite distinguir uma variação do desenvolvimento de uma condição que demanda tratamento.

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Testículo não descido e infecção urinária merecem atenção

Uma das condições acompanhadas na infância é o testículo não descido, conhecido na Medicina como criptorquidia. O quadro ocorre quando um ou ambos os testículos não estão posicionados adequadamente na bolsa escrotal dentro do período esperado.

Segundo o Dr. Eliakim Massuqueto, prolongar indefinidamente a espera pela descida espontânea pode não ser a conduta mais adequada. A definição do acompanhamento considera a idade da criança e a posição do testículo, entre outros fatores.

Outro sinal que merece investigação é a infecção urinária acompanhada de febre, especialmente quando os episódios se repetem. Na infância, esse tipo de quadro pode estar relacionado, em determinados casos, a alterações anatômicas ou funcionais do aparelho urinário.

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“Quando a descida não acontece no período esperado, é importante avaliar essa criança e definir a conduta no momento adequado. Não estamos pensando apenas na infância, mas também na preservação da função testicular e na saúde desse paciente ao longo da vida.”

A avaliação leva em conta fatores como idade, frequência das infecções, sintomas apresentados e histórico clínico. Dependendo do caso, exames complementares podem ser indicados para verificar se existe alguma condição favorecendo novos episódios.

“A preocupação não deve ser apenas tratar aquela infecção e seguir adiante. Em algumas crianças, precisamos entender por que ela aconteceu. Quando existe uma alteração associada, identificá-la precocemente permite organizar o acompanhamento e proteger melhor a função renal.”

Dificuldades persistentes de higiene genital e alterações anatômicas percebidas pelos responsáveis também merecem atenção. A conduta depende das características individuais e pode variar desde observação e acompanhamento até tratamento específico.

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O cuidado pode começar ainda durante a gestação

Parte das condições acompanhadas pela Urologia Pediátrica pode ser identificada antes mesmo do nascimento.

Exames realizados durante o pré-natal podem revelar dilatações do sistema urinário ou alterações relacionadas aos rins, à bexiga e à formação da genitália. A descoberta de uma alteração nesse período, porém, não significa automaticamente que o bebê precisará de cirurgia.

Alguns achados podem apresentar evolução favorável e demandar apenas acompanhamento. Outros exigem uma programação mais próxima dos exames e cuidados necessários após o nascimento.

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“O diagnóstico pré-natal nos permite chegar ao nascimento já sabendo o que precisa ser observado. Muitas vezes, não haverá necessidade de cirurgia, mas podemos organizar o acompanhamento e evitar que uma alteração importante seja percebida somente depois de comprometer alguma função.”

Em condições mais complexas, diferentes especialidades podem participar do cuidado. Há ainda situações selecionadas em que procedimentos durante a gestação podem ser considerados, sempre de acordo com critérios médicos específicos e avaliação individualizada.

Para as famílias, receber a notícia de uma alteração antes do nascimento costuma gerar ansiedade. Nesse momento, esclarecer a diferença entre um achado de exame e um prognóstico definitivo também faz parte da assistência.

Desenvolvimento genital e as comparações que preocupam os pais

Além das alterações diretamente relacionadas ao funcionamento do aparelho urinário, o desenvolvimento da genitália masculina tornou-se uma fonte frequente de dúvidas.

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O Dr. Eliakim Massuqueto relata que mães e pais procuram avaliação por acreditarem que o pênis da criança não está crescendo na mesma proporção que o restante do corpo.

O desenvolvimento genital, entretanto, possui ritmo próprio. Características corporais, fase de crescimento e quantidade de tecido adiposo na região pubiana podem modificar a aparência externa, o que torna inadequado estabelecer um diagnóstico apenas pela observação visual.

Há ainda condições anatômicas, como o chamado pênis embutido, em que parte do órgão permanece menos aparente. Nesses casos, é necessário diferenciar uma alteração verdadeira do desenvolvimento de uma característica que interfere principalmente na exposição da genitália.

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“Uma das maiores angústias que percebo hoje nas famílias é o medo de que a criança tenha um pênis pequeno na vida adulta. Antes de pensar em qualquer tratamento, precisamos entender se existe realmente uma alteração. Anatomia, idade e fase de desenvolvimento precisam ser consideradas em conjunto.”

A circulação de tabelas, vídeos e conteúdos sobre medidas genitais nas redes sociais pode intensificar essas preocupações. Comparações feitas sem contexto clínico desconsideram diferenças individuais e podem transformar uma dúvida dos responsáveis em insegurança para a própria criança.

Esse cenário exige atenção principalmente quando conduz à busca por intervenções precoces.

“Existe uma diferença importante entre esclarecer uma dúvida e transformar essa preocupação em indicação de tratamento. Hormônios, por exemplo, precisam de uma justificativa médica bem definida. Interferir no desenvolvimento de uma criança sem uma necessidade comprovada não deve ser tratado como algo simples.”

O especialista ressalta que a preocupação dos responsáveis precisa ser acolhida, mas não deve levar automaticamente à conclusão de que exista uma doença ou necessidade de intervenção.

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Quando a cirurgia pode ser necessária na infância

Nem toda condição urológica infantil exige tratamento cirúrgico. A decisão depende do diagnóstico, da idade, da anatomia, da presença de sintomas e do risco de comprometimento funcional.

Entre os quadros que podem demandar procedimentos estão determinadas situações de testículo não descido, malformações do aparelho urinário e alterações da uretra, da bexiga ou da genitália.

O momento da intervenção também faz parte da decisão.

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“Na criança, não podemos olhar apenas para o diagnóstico daquele dia. Precisamos pensar em como aquela alteração poderá repercutir durante o crescimento e na vida adulta. Há situações em que acompanhar é suficiente e outras em que esperar demais pode reduzir as possibilidades de tratamento.”

As técnicas cirúrgicas disponíveis também evoluíram. Além das abordagens abertas, alguns tratamentos podem ser realizados por endoscopia ou por métodos minimamente invasivos, dependendo da condição e da idade da criança.

Procedimentos endoscópicos utilizam pequenas câmeras e instrumentos introduzidos por vias naturais do organismo, o que pode permitir o tratamento de determinadas alterações sem grandes incisões. A cirurgia robótica também pode ser utilizada em situações específicas, principalmente em crianças maiores e adolescentes.

A presença de uma tecnologia mais recente, no entanto, não determina sozinha a melhor escolha.

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“A tecnologia trouxe novas possibilidades, mas ela precisa servir à indicação médica, e não o contrário. O melhor procedimento é aquele que responde à necessidade daquela criança, considerando segurança, função e resultado esperado para o caso.”

Em cirurgias reconstrutivas, o planejamento pode envolver aspectos que ultrapassam a correção anatômica imediata. Função urinária, crescimento, desenvolvimento genital, sensibilidade e qualidade de vida futura também podem entrar na avaliação.

“Quando operamos uma criança, estamos cuidando também do adolescente e do adulto que ela vai se tornar. Por isso, não basta pensar apenas em corrigir uma anatomia naquele momento; precisamos considerar função, desenvolvimento e qualidade de vida no longo prazo.”

Humanização também faz parte do cuidado infantil

Procedimentos médicos podem provocar medo mesmo quando são necessários. Na infância, ambientes hospitalares, exames, agulhas e experiências anteriores podem influenciar a maneira como a criança reage ao atendimento.

Para o Dr. Eliakim Massuqueto, respeitar essa percepção é parte do tratamento.

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Ele defende que a criança receba explicações compatíveis com a própria idade e que o exame seja conduzido sem forçar uma interação para a qual ela ainda não esteja preparada. Em pacientes que apresentam maior dificuldade de adaptação, como algumas crianças com transtorno do espectro autista, esse processo pode exigir mais tempo.

“Mesmo a criança pequena precisa saber, dentro da capacidade de compreensão dela, o que vai acontecer. Eu procuro não surpreendê-la e não transformar o exame em uma experiência de força. Às vezes, a primeira consulta serve apenas para criar confiança, e o exame pode ficar para outro momento.”

O cuidado também se estende à preparação para procedimentos cirúrgicos. Tornar o ambiente menos ameaçador e permitir a presença dos responsáveis pelo maior tempo possível são estratégias que podem diminuir a ansiedade.

Essa atenção é particularmente importante em questões relacionadas à genitália, que podem envolver constrangimentos e inseguranças mesmo antes da adolescência.

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Comentários constantes sobre tamanho, comparações com outras crianças ou manifestações excessivas de preocupação podem fazer uma questão médica ganhar um peso emocional desnecessário.

Por isso, observar o desenvolvimento não significa vigiar o corpo da criança em busca de um padrão ideal. O objetivo é reconhecer sinais clínicos e procurar avaliação quando houver dúvida.

Testículo fora da bolsa escrotal dentro do período em que sua descida já seria esperada, infecção urinária acompanhada de febre, alterações anatômicas, dificuldades persistentes de higiene, mudanças relevantes no padrão urinário ou achados identificados no pré-natal estão entre as situações que podem justificar investigação.

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A avaliação individualizada permite seguir dois caminhos igualmente importantes: identificar precocemente uma condição que precisa de acompanhamento ou tratamento e tranquilizar a família quando o desenvolvimento está dentro do esperado.

Quem é o Dr. Eliakim Massuqueto

Nascido no interior de Rondônia, o Dr. Eliakim Massuqueto cresceu no estado e teve no irmão mais velho, o primeiro médico da família, uma das referências para escolher a Medicina. Durante a graduação, aproximou-se das especialidades cirúrgicas e passou a se interessar especialmente pelos casos pediátricos e reconstrutivos de maior complexidade.

A formação o levou a diferentes regiões do país. Em Belo Horizonte, realizou residência em Cirurgia Geral. Depois, retornou a Rondônia para a residência em Urologia e, posteriormente, seguiu para Salvador, onde realizou fellowship em Urologia Pediátrica e Reconstrutiva na Universidade Federal da Bahia, sob orientação do urologista Ubirajara Barroso.

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A pesquisa científica também passou a integrar sua trajetória. O Dr. Eliakim Massuqueto desenvolveu seu doutorado a partir do estudo de uma técnica cirúrgica voltada à reconstrução genital e à análise de seus resultados em longo prazo. Em 2026, participou como primeiro autor de um estudo multicêntrico publicado no Journal of Pediatric Urology, dedicado à avaliação de resultados sensitivos e cosméticos relacionados a esse tipo de procedimento. Também participa de atividades acadêmicas e de iniciativas ligadas à Sociedade Brasileira de Urologia.

Depois dos períodos de formação fora do estado, decidiu retornar a Rondônia com o objetivo de ampliar o acesso regional a tratamentos especializados que, segundo ele, levavam muitos pacientes do Norte do país a buscar assistência em outros centros.

Em Porto Velho, estruturou sua atuação principalmente nas áreas de Urologia Pediátrica e Reconstrutiva. Na clínica, trabalha em integração com profissionais de enfermagem, fisioterapia, pediatria e outros urologistas, além de contar com recursos para parte da investigação diagnóstica e do acompanhamento dos pacientes. Os procedimentos cirúrgicos são realizados em ambiente hospitalar.

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No atendimento infantil, o Dr. Eliakim Massuqueto procura associar o conhecimento técnico a uma abordagem adaptada à experiência de cada criança. Explicações antes dos exames, respeito ao tempo de adaptação e atenção aos medos dos pacientes e das famílias fazem parte da forma como conduz o acompanhamento, especialmente em uma área que frequentemente envolve intimidade, inseguranças e decisões com repercussões que podem chegar à vida adulta.

CRM/RO 4463 | RQE 2473

Instagram: @dremassuqueto

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