A captura do ditador Nicolás Maduro pelos Estados Unidos revelou um cenário de isolamento internacional sem precedentes para o regime chavista. Segundo a análise do cientista político e colunista Fernando Schuler, a falta de apoio de potências estrangeiras e até de vizinhos latino-americanos demonstra que o governo venezuelano perdeu qualquer capital político no exterior.
Fernando Schuler ressalta que as notas emitidas por países como Brasil, Colômbia e México funcionaram, na prática, como um "apoio condicional" à ação de Washington.
Para o especialista, o governo americano mudou a sua estratégia de "nation building" (reconstrução da democracia) para uma visão puramente pragmática. A intenção atual não parece ser a restauração imediata da democracia liberal de 1961, mas sim a gestão da transição através do que sobrou do chavismo, especificamente na figura da vice-presidente Delcy Rodríguez, vista como uma parceira adequada para um governo fraco e submetido às regras impostas pelos EUA.
Interesses estratégicos e o controle do petróleo
Embora a Venezuela possua as maiores reservas de petróleo do mundo — cerca de 17% do total global —, a produção atual é insignificante, representando menos de 1% do mercado mundial. Schuler explica que o interesse americano vai além do combustível: trata-se de uma disputa geopolítica para retirar a influência da China na região, que atualmente absorve 80% das exportações venezuelanas.
A retomada da produção em larga escala exigiria investimentos bilionários e estabilidade jurídica de longo prazo, algo que Schuler vê como complexo sob o comando dos "escombros" do regime atual. A proximidade geográfica e o tipo de petróleo venezuelano, ideal para as refinarias do Golfo do México, tornam o país um ativo estratégico que os Estados Unidos decidiram não deixar mais sob controle de rivais em seu "quintal”.
Impacto na política brasileira e as eleições de 2026
No cenário doméstico brasileiro, a queda de Maduro coloca o presidente Lula numa posição extremamente desconfortável. Schuler destaca que o apoio histórico do PT ao regime chavista — desde a amizade "umbilical" com Hugo Chávez até a recepção de Maduro em Brasília com honras de Estado — será explorado pela oposição na corrida presidencial de 2026.
Para o analista, o silêncio relativo do governo brasileiro e as notas diplomáticas vagas revelam o constrangimento de um aliado que viu seu parceiro ser classificado como um criminoso internacional. Enquanto isso, governadores do campo da direita, como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, capitalizam politicamente ao apoiar abertamente a operação americana.
Oposição frágil e a figura de Maria Corina
Apesar do prestígio internacional de Maria Corina Machado, Schuler avalia que os Estados Unidos concluíram que a oposição interna na Venezuela é frágil e carece de respaldo nas Forças Armadas.
Por essa razão, a Casa Branca optou por trabalhar com a estrutura remanescente do regime para garantir a estabilidade imediata, deixando a pauta de novas eleições em segundo plano no momento.
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