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Secretários afirmam que Estados sustentam maior parte do combate a facções

Resposta acontece depois do ministro da Justiça Ricardo Lewandowski afirmar que os governos estaduais não estão fazendo “nada”

GABRIEL MARQUES

10/12/2025 • 10:18 • Atualizado em 10/12/2025 • 10:18

Bastidores de Brasília
Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski

Ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Após o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, afirmar que os governos estaduais não estão fazendo “nada” para enfrentar o crime organizado, o Conselho Nacional de Secretários de Segurança Pública (Consesp) reagiu de forma imediata. As declarações do ministro foram dadas durante audiência da CPI do Crime Organizado, no Senado, nessa terça-feira (9).

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Durante a sessão, Lewandowski classificou a atuação dos Estados como marcada por “inércia”. O comentário provocou forte reação do presidente do Consesp, Sandro Avelar, também secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Segundo ele, a fala ignora o trabalho diário das forças estaduais, que atuam mesmo sob grandes limitações orçamentárias impostas pelo modelo federativo atual.

De acordo com dados citados pelo colegiado, provenientes do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025), o gasto total com segurança pública no país atingiu R$ 153 bilhões. Deste valor, R$ 118,5 bilhões foram bancados pelos estados, o equivalente a 77% do total, enquanto a União contribuiu com R$ 22 bilhões e os municípios, com R$ 13,5 bilhões.

Avelar afirmou que, apesar das dificuldades, as polícias estaduais assumem tarefas que seriam de responsabilidade federal, como o combate ao tráfico de drogas e armas, especialmente nos estados que fazem fronteira. Ele destacou que são os Estados que mantêm polícias civis, militares, penais e os corpos de bombeiros, responsáveis pela investigação de homicídios, patrulhamento ostensivo e enfrentamento direto a facções criminosas.

O presidente do Conselho classificou como injustas as afirmações de que os Estados não estariam entregando resultados. “O trabalho diário das forças estaduais comprova o compromisso no combate ao crime”, disse. Avelar também voltou a defender a criação de um ministério exclusivo para a segurança pública, hoje vinculada ao Ministério da Justiça. Para ele, uma pasta própria e comandada por gestores especializados fortaleceria o diálogo e a coordenação nacional das políticas do setor.

A manifestação do Consesp ocorreu após reunião extraordinária realizada no Salão Nobre do Palácio do Buriti, em Brasília. O encontro reuniu secretários de segurança de todo o país e contou com a presença do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.

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