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Senado aprova voto de censura contra chanceler alemão por críticas a Belém

Para o senador Zequinha Marinho, as declarações ‘não são apenas infelizes’, mas também desrespeitam a cidade de Belém e todo o povo brasileiro, sobretudo, a Amazônia

ESTADÃO CONTEÚDO

19/11/2025 • 07:26 • Atualizado em 19/11/2025 • 07:36

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha

REUTERS/Heiko Becke

O plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (18), um requerimento com voto de censura ao chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, em razão das declarações consideradas xenófobas e preconceituosas contra Belém, sede da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP30). O texto foi apresentado pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA).

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As declarações do chanceler alemão foram dadas durante um discurso no Congresso Alemão do Comércio em 13 de novembro. Na ocasião, ele comparou o Brasil com a Alemanha.

"Senhoras e senhores, vivemos em um dos países mais belos do mundo. Na semana passada, perguntei a alguns jornalistas que estavam comigo no Brasil: 'Quem de vocês gostaria de ficar aqui?' Ninguém levantou a mão. Todos ficaram felizes por termos retornado à Alemanha daquele lugar que tínhamos acabado de visitar", disse Merz. O discurso do chanceler foi transmitido no YouTube e transcrito na página oficial do governo federal alemão.

Para Zequinha Marinho, as declarações "não são apenas infelizes", mas também desrespeitam a cidade de Belém e todo o povo brasileiro, sobretudo, a Amazônia, "região que é patrimônio da humanidade".

O senador criticou a postura do chanceler, classificando-a como "superficial" e "paternalista", e defendeu que países ricos assumam compromissos concretos para financiar a preservação da floresta. "A COP30 é uma oportunidade para que os países assumam compromissos reais e ambiciosos. Belém foi escolhida justamente por estar no coração da Amazônia, onde se trava a batalha mais importante contra o aquecimento global", afirmou.

Deveria ter ido em um boteco no Pará

O presidente Lula respondeu ao chanceler alemão. "O primeiro-ministro da Alemanha esses dias se queixou: 'Fui no Pará e voltei logo porque gosto mesmo é de Berlim'. Ele, na verdade, deveria ter ido em um boteco no Pará. Deveria ter dançado no Pará. Deveria ter provado a culinária do Pará. Ele ia perceber que Berlim não oferece a ele 10% da qualidade que oferece o Estado do Pará e a cidade de Belém. Eu falava toda hora: 'Come a maniçoba, pô'" disse Lula.

A resposta, feita em tom bem humorado, foi feita durante a inauguração de uma ponte que liga os municípios de Xambioá (TO) a São Geraldo do Araguaia (PA). Lula evitou críticas mais duras ou sérias, como outros políticos fizeram até aqui.

O presidente, no entanto, criticou aqueles que não gostaram da escolha de Belém para sediar a COP30. Disse que "tinha muita gente que não queria" e que criticaram uma série de problemas, como os altos preços de hospedagem e de alimentos e bebidas.

"(Essas pessoas) nunca reclamaram da água que pagam quando vão no aeroporto internacional, nunca reclamaram quando vão em um show do preço da água e do guaraná. Mas foram reclamar do Pará. E a COP30 vai ser no Pará para quem gostar e para quem não gosta”, afirmou.