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Senado monta frente das terras raras; tema pode reforçar negociação com EUA

Senador Nelsinho Trad, presidente do colegiado, destacou que os minerais são fundamentais para setores como energia limpa, mobilidade, defesa e tecnologia

Túlio Amâncio
TÚLIO AMÂNCIO

02/10/2025 • 10:55 • Atualizado em 02/10/2025 • 10:55

Bastidores de Brasília
Senador Nelsinho Trad

Senador Nelsinho Trad

Waldemir Barreto/Agência Senado

O Senado instalou nesta quarta-feira (1º) a Frente Parlamentar em Defesa das Terras Raras Brasileiras. O colegiado será presidido pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS) e reúne 16 titulares de diferentes partidos.

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O objetivo da frente é ampliar o debate sobre a exploração sustentável desses minerais estratégicos no Brasil e impulsionar o desenvolvimento tecnológico, econômico e ambiental do país.

Segundo Nelsinho Trad, o Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas de óxido – atrás apenas da China. Ele destacou que os minerais são fundamentais para setores como energia limpa, mobilidade, defesa e tecnologia.

“As terras raras são a chave para o futuro. São insumos essenciais para baterias, ímãs, turbinas eólicas, painéis solares, equipamentos médicos, armamentos e eletrônicos avançados”, afirmou o senador à reportagem.

Relação com os EUA

O tema das terras raras também pode ganhar peso nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O governo brasileiro busca reduzir tensões em torno das tarifas impostas por Washington a produtos nacionais e vê na cooperação em setores estratégicos — como o de minerais críticos — uma possível moeda de troca.

A disputa internacional pelo acesso a esses minerais é considerada um ponto sensível da geopolítica, já que a China domina a produção global. Nesse cenário, o Brasil, que tem reservas expressivas ainda pouco exploradas, pode se tornar peça-chave nas tratativas.

Agenda da frente parlamentar

Apesar do potencial, a exploração das terras raras no Brasil ainda é considerada incipiente. Para mudar esse cenário, Trad defendeu uma agenda com as seguintes prioridades:

  • mais investimentos em pesquisa, inovação e domínio da cadeia produtiva;
  • estímulo à industrialização de produtos de alta tecnologia;
  • criação de um marco regulatório moderno para atrair investimentos;
  • práticas sustentáveis de mineração;
  • maior integração entre órgãos de fiscalização;
  • diversificação de parcerias internacionais e abertura de novos mercados.

A frente também pretende contribuir na formulação do Plano Nacional de Terras Raras, que deve consolidar uma política pública para posicionar o Brasil como líder mundial no setor.

Composição da frente parlamentar

Confira os integrantes titulares da Frente Parlamentar em Defesa das Terras Raras Brasileiras:

  • Nelsinho Trad (PSD-MS) – presidente
  • Damares Alves (Republicanos-DF)
  • Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Marcos Pontes (PL-SP)
  • Tereza Cristina (PP-MS)
  • Eduardo Girão (Novo-CE)
  • Esperidião Amin (PP-SC)
  • Fernando Farias (MDB-AL)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
  • Izalci Lucas (PL-DF)
  • Jorge Seif (PL-SC)
  • Luis Carlos Heinze (PP-RS)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Mecias de Jesus (Republicanos-RR)
  • Flávio Arns (PSB-PR)
  • Chico Rodrigues (PSB-RR)

Ao comentar a criação da frente, Trad destacou o contexto global de disputa por esses minerais.

“A concorrência pelas terras raras tem aquecido mercados e acirrado disputas geopolíticas. O Brasil precisa estar preparado. É organizar a casa para que possamos transformar esse recurso em desenvolvimento, segurança e soberania nacional”, disse.

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