
Reprodução/Jornal da Band
O silêncio do "segredo" está quebrado. No Brasil, em junho de 2025, "vazamento de senhas" atingiu o pico histórico no interesse de busca do Google. Paralelamente, o interesse por "criar senhas fortes" disparou impressionantes 630% nos últimos cinco anos. Não é à toa. A nossa vida digital, outrora um campo de conveniência, transformou-se num campo minado, onde a senha, nossa primeira linha de defesa, se mostra alarmantemente frágil.

Esqueça a ideia de que sua senha "fácil de lembrar" ou aquela que você varia levemente em diferentes sites é segura. Um estudo recente da Cybernews, baseado na análise de mais de 19 bilhões de credenciais vazadas entre 2024 e 2025, revela um cenário desolador: 94% das senhas são reutilizadas ou duplicadas. Apenas 6% foram consideradas realmente únicas.
Isso significa que, se uma de suas senhas for comprometida – e a Microsoft aponta que 44 milhões de contas estão vulneráveis à invasão devido ao roubo e comprometimento de senhas –, um criminoso pode ter acesso a múltiplas facetas da sua vida digital. Senhas como "123456" (usada por 23 milhões de contas em 2019) e a palavra "senha" (usada por mais de 3 milhões) continuam no topo da lista das mais vulneráveis. Nomes, times de futebol, "admin", "amor", "pizza", "Batman" e até palavrões são combinações populares e alarmantemente previsíveis.
Os cibercriminosos não precisam ser gênios da computação para te invadir. Eles exploram nossa natureza humana e nossos hábitos. O Relatório Verizon DBIR 2023 é categórico: cerca de 67% das violações envolveram phishing como vetor principal, e a engenharia social foi responsável por 16% das violações.
Phishing e engenharia social
Pense no phishing como uma "pesca com rede": uma mensagem é enviada para o maior número de pessoas, esperando que algumas mordam a isca. Já a engenharia social é mais perversa: ela manipula suas emoções e explora sua confiança, fazendo com que você revele informações sensíveis voluntariamente. Um "engenheiro social" pode se apresentar como um técnico de TI e, ao agir de forma esperada, consegue pedir sua senha sem levantar suspeitas, explorando a pressão do tempo, a pressão de autoridade ou até sua empatia.
Credenciais comprometidas e "password spraying"
O uso de credenciais comprometidas foi responsável por 25% das violações. Isso ocorre quando robôs testam uma senha vazada de um site em diversos outros serviços online (o "password spraying"). Ataques de dicionário e enchimento de credenciais, que usam listas de combinações de usuários e senhas ou testam senhas muito comuns, também são táticas empregadas. Para um criminoso, qualquer credencial é valiosa, pois mesmo acessos menos privilegiados podem ser uma "escada" para o controle total.
Como se defender?
A urgência é real, mas a solução está ao seu alcance. A crescente busca por "criar senhas fortes" mostra que estamos despertando para o problema. Não espere a violação bater à sua porta. As indicações de especialistas são:
- Troque as senhas imediatamente: se você suspeita de exposição de dados, ou mesmo por precaução, troque todas as suas senhas, com foco especial em e-mail e WhatsApp, que são portas de entrada para outros golpes. Não use sites suspeitos para verificar vazamentos que pedem seus dados pessoais; isso pode aumentar sua exposição. Ferramentas confiáveis como o "Have I Been Pwned?" podem ajudar a verificar se seus dados foram expostos.
- Crie senhas fortes e únicas (e aprenda a guardá-las!): fuja de dados pessoais (datas de nascimento, nomes de pets) ou palavras comuns; uma senha forte é uma combinação aleatória e exclusiva de letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais; ela deve ter no mínimo 16 caracteres; pense em frases longas e incomuns em ordem aleatória; nunca as reutilize e nunca as anote em locais acessíveis como papéis ou notas no celular, ou no preenchimento automático do navegador.
- Abrace a autenticação multifator: mesmo que sua senha seja roubada, a MFA adiciona uma camada extra de segurança, exigindo uma segunda forma de verificação que só você possui. Pode ser um token gerado por aplicativo, biometria (impressão digital, reconhecimento facial, íris, voz), ou uma chave USB. Evite a autenticação via SMS, pois ela pode ser interceptada.
- Use um gerenciador de senhas: para o dilema de "como memorizar tantas senhas?", os gerenciadores de senhas são a solução ideal. Eles armazenam suas credenciais em um cofre criptografado, exigindo que você memorize apenas uma "senha mestra". Muitos vêm com geradores de senhas fortes e alertas sobre contas comprometidas, além de ferramentas de preenchimento automático. A maioria usa criptografia AES-256, uma das mais altas formas de protocolos de segurança.
- Mantenha os sistemas operacionais atualizados: as atualizações de sistemas, sejam em celulares (iOS e Android) ou computadores, geralmente incluem pacotes de segurança vitais que ajudam a proteger contra novas ameaças.
- Fique atento à engenharia social: desconfie de solicitações de informações, mesmo que pareçam vir de fontes confiáveis. Sempre verifique a identidade do solicitante, ligando de volta para um contato oficial (nunca o que a pessoa lhe passou). Limite as informações que você compartilha publicamente nas redes sociais, pois elas podem ser usadas por golpistas para te enganar e planejar ataques.
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) já estabelece que as organizações devem adotar medidas de segurança técnicas e administrativas para proteger os dados pessoais de acessos não autorizados e de situações acidentais ou ilícitas - o não cumprimento pode resultar em sanções.
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