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Shodō: Caligrafia japonesa ajuda na saúde cognitiva e longevidade no país

Shodō é um exercício excepcionalmente complexo que exige a coordenação fina de múltiplas áreas cerebrais

Da redação
DA REDAÇÃO

05/12/2025 • 15:03 • Atualizado em 05/12/2025 • 15:03

Imagem ilustrativa

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O Japão não é apenas um líder global em tecnologia; é também um modelo em longevidade, com uma das maiores expectativas de vida do mundo. Enquanto a dieta saudável e o sistema de saúde são fatores bem estabelecidos, estudos universitários e artigos de pesquisa neurocientífica apontam para um componente cultural e cognitivo que pode contribuir para a saúde cerebral ao longo da vida: a prática precoce da caligrafia tradicional japonesa, ou Shodō.

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O Shodō, que envolve a escrita de caracteres com pincel (fude) e tinta sobre papel, é ensinado nas escolas primárias japonesas antes mesmo de as crianças dominarem a escrita com caneta.

De acordo com estudos em neurociência cognitiva, como os realizados por pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão, a prática do Shodō é um exercício excepcionalmente complexo que exige a coordenação fina de múltiplas áreas cerebrais:

  • Coordenação Motor-Sensorial: O ato de segurar o pincel e controlar a pressão e o fluxo da tinta exige precisão motora fina, ativando áreas do córtex motor. A precisão do traço, que não permite correções, exige um foco sensorial intenso.
  • Funções Executivas: A prática requer alta concentração e planejamento (funções executivas), ativando o córtex pré-frontal. O aluno deve planejar mentalmente a ordem dos traços (kakijun), o equilíbrio espacial e a força antes de o pincel tocar o papel.
  • Conexão Mente-Corpo: Diferente da digitação, o Shodō exige que o corpo inteiro, da postura sentada à respiração e ao movimento do pulso, participe da criação do caractere. De acordo com especialistas em reabilitação cognitiva, essa integração corpo-mente melhora a conectividade neural e a consciência corporal.

Shodō e a reserva cognitiva

O benefício da caligrafia se estende à idade avançada, atuando como um fator de reserva cognitiva, que ajuda a proteger o cérebro contra os efeitos do envelhecimento e de doenças neurodegenerativas, como a demência:

Pesquisas realizadas pela Universidade de Kyoto e do National Center for Geriatrics and Gerontology (NCGG) japonês, o engajamento contínuo em atividades complexas e prazerosas, como o Shodō, pode aumentar a densidade sináptica e manter a integridade das redes neurais.

Além disso, há o incentivo do Ministério da Educação, Cultura, Esporte, Ciência e Tecnologia do Japão (MEXT), da manutenção de atividades culturais tradicionais como o Shodō para promover o bem-estar mental e a saúde dos idosos, agindo como uma forma de meditação ativa que reduz o estresse (diminuindo o cortisol) e estimula a atenção plena.

A prática cultural, portanto, não é apenas uma arte, mas uma "academia cerebral" de longa duração, semeada na infância e colhida na velhice, que pode ser um dos pilares silenciosos por trás da notável longevidade da população japonesa.

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