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Shutdown: Governo dos EUA é paralisado após Congresso não aprovar Orçamento

Shutdown pode levar à dispensa temporária de cerca de 750 mil funcionários públicos, com impacto direto sobre a folha de pagamento

ESTADÃO CONTEÚDO*

01/10/2025 • 08:01 • Atualizado em 01/10/2025 • 08:01

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante discurso

Nathan Howard/Reuters

Resumo

Paralisação do Governo dos EUA: O Congresso americano não chegou a um acordo sobre o Orçamento, resultando na primeira paralisação do governo em quase sete anos. A proposta rejeitada pelo Senado buscava estender o financiamento por sete semanas, mas não alcançou os votos necessários.

Disputa Política: Democratas e republicanos estão em impasse, com os democratas buscando estender subsídios e reverter cortes na saúde, e os republicanos resistindo às concessões. O presidente americano indicou que a paralisação poderia trazer benefícios para o governo.

Impactos do Shutdown: Cerca de 750 mil servidores federais poderão ser dispensados temporariamente, afetando a folha de pagamento e a divulgação de importantes indicadores econômicos, como o relatório de empregos americano.

O Congresso dos Estados Unidos não conseguiu entrar em um acordo sobre o Orçamento, na noite da terça-feira (30) e desencadeou a primeira paralisação do governo americano em quase sete anos. Milhares de servidores federais devem entrar em licença ou ser demitidos nas próximas horas.Uma proposta para estender o financiamento da máquina pública por sete semanas foi rejeitada pelo Senado, apesar de ter recebido 55 votos favoráveis e 45 contrários. O texto precisava de um mínimo de 60 apoios para entrar em vigor.O impasse entre democratas e republicanos impediu a apreciação do projeto orçamentário e também de uma proposta alternativa apresentada pela oposição.De um lado, os democratas exigiam a extensão de subsídios e a reversão de cortes realizados pelo governo de Donald Trump na assistência de saúde. Já os conservadores não estavam dispostos a ceder no projeto que garantia o financiamento do governo até o dia 21 de novembro.

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Nos EUA, um "shutdown" ocorre quando o poder legislativo não consegue aprovar a legislação de financiamento necessária para manter o poder executivo funcionando.A última paralisação da máquina federal ocorreu no primeiro mandato de Trump, entre dezembro de 2018 e janeiro de 2019. Na ocasião, o presidente exigia que o Congresso aprovasse o financiamento para o projeto de construção de um muro entre os Estados Unidos e o México. Após 35 dias (o "shutdown" mais longo da história do país), Trump recuou.Desta vez, o presidente americano parece não estar disposto a ceder e provocou a oposição, ao dizer que a paralisação traria "resultados positivos" para o governo.

"Vamos demitir muita gente quando houver um shutdown", afirmou. Trump ainda ameaçou eliminar políticas defendidas democratas enquanto o governo estiver sem financiamento.O Escritório de Orçamento do Congresso dos Estados Unidos (CBO, na sigla em inglês) alertou que o shutdown pode levar à dispensa temporária de cerca de 750 mil funcionários públicos, com impacto direto sobre a folha de pagamento.O órgão afirmou que a maioria dos servidores deve interromper as atividades, a menos que sejam considerados "essenciais" para a proteção de vidas, propriedades ou serviços definidos em planos de contingência.O diretor do CBO, Phillip Swagel, disse que uma paralisação curta não teria grande impacto na economia, especialmente porque os funcionários federais, por lei, são pagos retroativamente. Mas se a situação se prolongar, poderá haver "incertezas sobre qual é o papel do governo em nossa sociedade e qual é o impacto financeiro em todos os programas que o governo financia".O Departamento de Estatísticas do Trabalho (BLS, na sigla em inglês) confirmou que suspenderá a divulgação de indicadores econômicos, incluindo o relatório de empregos americano (payroll), com a paralisação. A leitura de setembro do indicador seria revelada na sexta-feira (3).O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou na terça que a não publicação do dado teria impacto na decisão do banco central sobre a política monetária.

Nas redes sociais, a Casa Branca confirmou a paralisação e a classificou como "shutdown democrata".

*Com informações da Associated Press

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