
Skincare infantil
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“Criança pode fazer skincare?”. Essa dúvida, que até pouco tempo parecia restrita a consultórios dermatológicos, virou uma das principais perguntas feitas por pais no Google.
Dados da Sala Digital, com base no Google Trends, mostram que o interesse por skincare infantil explodiu no fim de 2025. Entre novembro e dezembro, as buscas atingiram recorde histórico no agregado mensal, com um salto de aproximadamente 400% em relação à média dos meses anteriores.
O movimento acende um alerta sobre comportamento, influência das redes sociais e, sobretudo, sobre o que é cuidado de saúde e o que é excesso.
No acumulado do ano, o crescimento também foi expressivo: 2025 registrou o maior nível de interesse da série histórica, com alta de cerca de 90% na comparação com 2024, praticamente o dobro.
O avanço das buscas reflete uma mudança clara de comportamento impulsionada, sobretudo, pela exposição de crianças a conteúdos de beleza e rotinas de cuidados com a pele nas redes sociais. Mas até que ponto isso é seguro?
Por que o interesse por skincare infantil cresceu tanto
Especialistas apontam que o aumento das buscas acompanha a popularização de vídeos e tutoriais de skincare em plataformas como TikTok e Instagram, muitos deles produzidos por influenciadores mirins ou voltados a públicos cada vez mais jovens.
Pesquisas internacionais mostram que crianças e pré-adolescentes vêm sendo estimulados a adotar rotinas complexas, com vários produtos usados diariamente. Segundo dermatologistas, a prática não tem respaldo médico e está mais ligada ao marketing do que à saúde da pele.
Esse cenário ajuda a explicar por que pais e responsáveis passaram a recorrer ao Google em busca de orientação segura.
A resposta médica: criança pode fazer skincare?
De acordo com dermatologistas pediátricos, sim, mas com cuidados básicos e bem definidos.
A pele infantil é biologicamente diferente da pele adulta:
- é mais fina,
- tem maior permeabilidade,
- e ainda está em processo de amadurecimento das funções de proteção.
Por isso, especialistas afirmam que, para a maioria das crianças, o skincare deve se limitar a:
- higiene suave, com sabonetes específicos para pele infantil;
- hidratação simples, quando necessário;
- proteção solar diária, com filtros adequados à idade.
O uso de produtos com ativos como retinol, ácidos esfoliantes, peelings químicos ou cosméticos anti-idade não é recomendado, salvo indicação médica específica.
O que dizem as regras da Anvisa
No Brasil, cosméticos infantis são regulados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que estabelece critérios mais rígidos para produtos destinados a crianças.
As normas determinam que esses produtos:
- utilizem apenas ingredientes considerados seguros para o público infantil;
- tenham registro ou notificação obrigatória;
- tragam informações claras no rótulo, incluindo faixa etária e modo de uso;
- evitem substâncias com maior potencial de irritação ou sensibilização.
A Anvisa reforça que cosméticos infantis não são versões diluídas de produtos adultos, mas fórmulas específicas para uma pele em desenvolvimento.
Quais são os riscos do skincare precoce
Dermatologistas alertam que o uso inadequado de produtos pode causar:
- irritações e dermatite de contato;
- alergias cutâneas;
- comprometimento da barreira da pele;
- aumento da sensibilidade ao sol.
Além dos efeitos físicos, estudos também apontam possíveis impactos comportamentais, como pressão estética precoce e construção de padrões irreais de cuidado e aparência desde a infância.
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