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Solidão ou solitude? O que diferencia o sofrimento do silêncio que cura, segundo a Monja Coen

Alessandra Petraglia
ALESSANDRA PETRAGLIA

03/07/2025 • 15:10 • Atualizado em 03/07/2025 • 15:10

Monja Coen explica diferença entre solidão e solitude

Monja Coen explica diferença entre solidão e solitude

Reprodução/ Melhor da Tarde

Em um tempo de redes sociais, mensagens instantâneas e milhões de seguidores, ainda assim, um número significativo de pessoas experimenta o sentimento de solidão. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas sofre com esse mal, que pode estar relacionado a mais de 871 mil mortes por ano. A solidão, como mostram estudos recentes, deixou de ser uma questão individual e passou a ser tratada como problema de saúde pública.

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E não é à toa que o tema vem ganhando destaque. No último ano, as buscas por “medo de ficar sozinha” foram 80% maiores do que por “medo de ficar sozinho”, segundo dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google. Embora não haja pesquisa que confirmem que as mulheres sofrem mais de solidão, no buscador, elas estão mais interessadas em buscar informações sobre o assunto.

E é entre elas também que surge um movimento interessante: um aumento significativo nas buscas por “lugares para viajar sozinha” e “o que fazer sozinha em casa”, indicando que estar só nem sempre é preciso ser sinônimo de tristeza. Pode, inclusive, ser um caminho de autocuidado.

É nessa encruzilhada entre o vazio que adoece e o silêncio que cura que entra uma distinção essencial feita pela Monja Coen, missionária da tradição Zen Budista: a diferença entre solidão e solitude.

Solidão x solitude

Apesar de parecerem sinônimos, solidão e solitude representam experiências profundamente diferentes. Uma causa sofrimento; a outra, transforma. “A solidão é uma ausência que machuca”, diz a monja, reforçando que até mesmo em meio a festas ou multidões é possível sentir-se desconectado de si e dos outros.

A solitude, por outro lado, é uma escolha consciente: estar consigo mesmo sem pressa, sem cobrança, em paz. É quando o silêncio deixa de ser incômodo e passa a ser espaço de escuta. “É um momento de olhar para si: quem sou eu? O que é a mente humana?”, reflete Coen. Para ela, solitude é fazer as pazes com o vazio — não como uma falta, mas como um espaço pleno de presença.

Tomar um café em silêncio, ler um livro, meditar: essas são pequenas formas de cultivar a solitude no dia a dia. Mas nem sempre é fácil. Quem não se reconhece, tem baixa autoestima ou sente que não há nada de interessante dentro de si, dificilmente encontrará prazer na própria companhia. Por isso, a monja alerta: “Podemos nos tornar boas companhias para nós mesmos quando estamos presentes e apreciamos cada instante da vida”.

Como praticar a solitude?

Coen sugere uma prática simples para quem deseja começar. Sente-se com a coluna ereta, os pés firmes no chão, os ombros relaxados. Respire profundamente, permita que os pensamentos venham e vão, sem julgá-los, apenas estando ali. Com o tempo, explica ela, a mente se acalma como um copo d’água com açúcar: o açúcar desce e a água fica transparente. Esse estado de clareza é um convite ao equilíbrio.

Apesar da crescente valorização do tempo sozinho, especialmente entre as mulheres, que lideram buscas por atividades individuais, como viagens solo e programas culturais, é importante reconhecer o limite entre o silêncio que fortalece e o isolamento que machuca. “O ‘estar sozinho sozinho’ é uma ilusão. Se isso te traz sofrimento constante, é hora de procurar ajuda”, conclui a monja.

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