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Sonda da Nasa pode cruzar com cometa 3i/Atlas até dia 6 de novembro

O alinhamento é possível porque a trajetória do cometa está muito próxima do plano da eclíptica, o mesmo "disco" onde os planetas e a maioria das sondas orbitam o Sol

Da redação
DA REDAÇÃO

29/10/2025 • 18:10 • Atualizado em 29/10/2025 • 18:10

Cometa 3IATLAS

Cometa 3IATLAS

Reprodução/NASA

Uma confluência cósmica de trajetórias poderá resultar em um momento histórico para a exploração espacial. De acordo com um novo estudo aceito para publicação na Research Notes of the American Astronomical Society (RNAAS), a sonda Europa Clipper da NASA tem uma grande chance de cruzar a cauda do cometa 3I/ATLAS entre o final de outubro e o início de novembro de 2025.

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Este não é um cometa qualquer. O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar já detectado passando pelo nosso Sistema Solar, oferecendo aos cientistas uma oportunidade sem precedentes de "tocar" material de outra estrela.

O que é o cometa 3I/ATLAS?

Descoberto em 1º de julho de 2025, o Cometa 3I/ATLAS está em uma trajetória hiperbólica, o que significa que ele passará uma única vez pelo nosso Sol antes de seguir viagem de volta ao espaço interestelar.

Ao contrário do primeiro visitante, o 'Oumuamua, que não mostrava atividade, o 3I/ATLAS, assim como o segundo, 2I/Borisov, desenvolveu uma coma (atmosfera) e uma cauda distintas, tornando-o um alvo fascinante para observação.

O cometa atingirá seu ponto mais próximo do Sol (periélio) em 29 de outubro de 2025, justamente quando estará em uma posição favorável para o encontro com as sondas.

Cometa 3I/ATLAS (Foto: Reprodução/NASA)

Cometa 3I/ATLAS (Foto: Reprodução/NASA)

Uma janela de oportunidade rara

O estudo, de autoria de Samuel R. Grant e Geraint H. Jones, identifica duas oportunidades de observação direta:

  1. Europa Clipper (NASA): A sonda, a caminho de Júpiter, estará na posição ideal para ser imersa na cauda de íons do cometa entre 30 de outubro e 6 de novembro de 2025.
  2. Hera (ESA): A sonda da Agência Espacial Europeia também pode ter seu encontro um pouco antes, entre 25 de outubro e 1 de novembro de 2025.

O alinhamento é possível porque a trajetória do cometa está muito próxima do plano da eclíptica, o mesmo "disco" onde os planetas e a maioria das sondas orbitam o Sol. A cauda de um cometa pode se estender por milhões de quilômetros, então, mesmo que a distância mínima seja de cerca de 8 milhões de quilômetros, a imersão na "flanco" da cauda é altamente provável.

O que os cientistas esperam encontrar?

A Europa Clipper está particularmente bem equipada para esta tarefa. Seus instrumentos de plasma e magnetômetro podem detectar as assinaturas reveladoras de uma cauda de cometa. Os cientistas esperam observar:

  • Mudanças no Vento Solar: A interação do cometa com o vento solar cria perturbações que a sonda pode medir.
  • Estrutura de "Drapejamento Magnético": O campo magnético do Sol "se curva" e "se enrola" ao redor do cometa, criando uma assinatura magnética única.
  • Íons Cometários: A chance de detectar diretamente partículas carregadas originárias de um sistema estelar alienígena.

Mesmo que a detecção direta de íons seja desafiadora, as mudanças no campo magnético e no plasma seriam a primeira "imersão" direta da humanidade em material de um objeto interestelar.

Em contraste, a sonda Hera não possui instrumentos para detectar íons ou o campo magnético, tornando a passagem da Europa Clipper ainda mais crucial.

Um marco na astronomia interestelar

Este encontro fortuito representa uma chance rara de estudar a composição de um cometa de outra "vizinhança" cósmica. As informações coletadas podem revelar detalhes sobre a formação de outros sistemas planetários.

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