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São Paulo registra recorde de feminicídios no primeiro bimestre de 2026

Estado contabiliza 55 mortes de mulheres nos dois primeiros meses do ano, maior índice desde 2018; Governo anuncia plano decenal e monitoramento de agressores

Da redação
DA REDAÇÃO

30/03/2026 • 21:37 • Atualizado em 30/03/2026 • 21:48

São Paulo registra recorde de feminicídios no primeiro bimestre de 2026

São Paulo registra recorde de feminicídios no primeiro bimestre de 2026

Joédson Alves/Agência Brasil

O estado de São Paulo atingiu a marca histórica de 55 feminicídios nos dois primeiros meses de 2026, de acordo com dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP-SP). O índice é o mais alto para um primeiro bimestre desde que a pasta iniciou a divulgação específica desta estatística criminal, em 2018. Os números revelam uma realidade alarmante: uma mulher é morta por questões de gênero a cada 25 horas em território paulista.

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A capital paulista responde por 11 dessas ocorrências, apresentando uma leve queda em relação aos 13 casos registrados no mesmo período do ano passado. No entanto, o cenário estadual é de ascensão. Em janeiro, São Paulo já havia batido o recorde para o mês, com 27 mortes, vindo de um ano de 2025 que encerrou com o maior patamar anual da série: 266 vítimas.

Casos recentes e perfil da violência

Entre os crimes de maior repercussão em fevereiro, destaca-se a morte da policial militar Gisele Alves Santana. Inicialmente tratada pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, como suicídio, a investigação apontou que o oficial efetuou o disparo após uma discussão por não aceitar o fim do relacionamento. O militar está preso e responde por feminicídio e fraude processual.

Outras vítimas ilustram a brutalidade dos ataques. Na Grande São Paulo, Cibelle Monteiro Alves, de 22 anos, foi morta a facadas pelo ex-namorado dentro de uma joalheria em um shopping de São Bernardo do Campo. Na Zona Norte da capital, Priscila Versão, também de 22 anos, foi assassinada em fevereiro; o marido é o principal suspeito. Curiosamente, Priscila era vizinha de Tainara Souza Santos, morta em dezembro de 2024 após ser arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê por um ex-companheiro.

Resposta governamental e medidas de proteção

Diante da escalada da violência, o Governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (30) um pacote de medidas integradas. A gestão de Tarcísio de Freitas estabeleceu a criação do Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a expansão da rede de proteção itinerante. Entre as novidades está o programa SuperAção SP, que priorizará o acolhimento e suporte financeiro a órfãos do feminicídio.

A SSP-SP reforça que o combate a esses crimes é prioridade e destaca o uso de tecnologia, como o aplicativo SP Mulher Segura Conecta e o monitoramento por tornozeleiras eletrônicas. Desde setembro de 2023, 1.198 homens acusados de agressão passaram a usar o equipamento, resultando na prisão de 123 por descumprimento de medidas protetivas. Nos últimos três meses, mais de 2 mil prisões relacionadas a crimes contra mulheres foram efetuadas no estado.

Com informações do Estadão Conteúdo