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Moraes pede novo parecer da PGR sobre caso das joias de Bolsonaro

Ministro do STF solicita manifestação específica sobre conduta do advogado Frederick Wassef antes de decidir sobre arquivamento do inquérito

Da redação
DA REDAÇÃO

19/03/2026 • 17:56 • Atualizado em 19/03/2026 • 18:00

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicita um novo parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) a respeito das investigações sobre o desvio e venda de joias sauditas durante o governo de Jair Bolsonaro. A decisão, assinada nesta quarta-feira (18), ocorre após o órgão ministerial ter pedido o arquivamento do caso, alegando "lacuna legislativa" para a punição do ex-presidente.

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Moraes aponta que a manifestação anterior da PGR não contemplou integralmente o relatório final da Polícia Federal, especificamente no que diz respeito às evidências colhidas contra o advogado Frederick Wassef. O ministro determina que os autos retornem à Procuradoria para que o órgão se manifeste sobre o material detalhado nos documentos anexados à investigação pela autoridade policial.

A peça central da nova análise envolve a conduta de Wassef, que admitiu em 2023 ter recomprado um relógio Rolex nos Estados Unidos. O item, que fazia parte do acervo de presentes oficiais recebidos pela Presidência, havia sido vendido ilegalmente e foi recuperado pelo advogado após o início das apurações. A Polícia Federal aponta indícios de lavagem de dinheiro e associação criminosa na operação de resgate e ocultação dos bens.

Histórico da investigação e indiciamentos

O inquérito, concluído pela Polícia Federal em 2023, resultou no indiciamento de Jair Bolsonaro e outras 11 pessoas, incluindo o ex-ajudante de ordens Mauro Cid. A investigação detalha o funcionamento de uma estrutura montada para desviar presentes de alto valor oferecidos por autoridades estrangeiras, principalmente da Arábia Saudita, para posterior comercialização em território norte-americano.

Segundo os dados levantados pelos investigadores, parte dos objetos luxuosos foi transportada para fora do Brasil na própria aeronave presidencial. A Polícia Federal sustenta que houve uma tentativa deliberada de converter bens públicos em patrimônio privado através de uma rede de colaboradores próximos ao ex-mandatário.

A PGR, no entanto, argumentou recentemente que não haveria base legal sólida para a punição de Bolsonaro pela venda das joias, sugerindo o encerramento da ação. Com o novo despacho de Moraes, o órgão deverá revisar os elementos que ligam Wassef à organização criminosa antes que o STF tome uma decisão final sobre a continuidade ou o arquivamento do processo. O ministro aguarda o novo posicionamento para avaliar se as provas apresentadas pela PF são suficientes para sustentar uma denúncia formal.

Com informações da Agência Brasil