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"Superman" dos anos 90 vira agente anti-imigração do governo Trump

Antiga estrela do seriado "Lois & Clark", Dean Cain anunciou que vai passar a atuar como agente do ICE, a agência dos EUA responsável por executar onda de detenções de migrantes sob o governo Trump.

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

07/08/2025 • 12:24 • Atualizado em 07/08/2025 • 13:00

O ator americano Dean Cain anunciou que vai se tornar agente do Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE, na sigla em inglês) dos EUA, a agência que vem executando uma onda de detenções e deportações de migrantes sob o governo de Donald Trump.

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Nos anos 1990, Cain, de 59 anos, se notabilizou por interpretar o personagem Super-Homem e seu alter ego Clark Kent no seriado televisivo Lois & Clark: As Novas Aventuras do Superman, produzido entre 1993 e 1997 e que no Brasil foi transmitido pela TV Globo.

"Vou tomar posse como agente do ICE", disse Cain na quarta-feira (06/08), em entrevista ao canal conservador Fox News. No dia anterior, ele já havia usado suas redes sociais para divulgar um vídeo instando membros do público a se candidatarem a vagas na agência de combate à migração. O vídeo viralizou e depois disso Cain anunciou que havia tomado a decisão de se juntar ao ICE.

"Na verdade, sou xerife-adjunto e policial da reserva — não fazia parte do ICE, mas depois que publiquei isso, a coisa explodiu", disse Cain na Fox News. "Depois, conversei com alguns funcionários do ICE e serei empossado como agente o mais rapidamente possível."

Cain ainda disse considerar que os EUA foram construídos por "patriotas" que fizeram "a coisa certa", e que se juntar ao ICE também é "a coisa certa". Na mesma entrevista, ele elogiou o presidente Donald Trump, que liderou uma campanha centrada no combate à migração e deportação de estrangeiros. "Ele [Trump] está cumprindo o que prometeu. Foi por isso que as pessoas votaram nele. Foi por isso que eu votei nele, e ele vai levar isso adiante. Eu farei minha parte e ajudarei a garantir que isso aconteça", disse Cain.

Nas últimas semanas, o ICE tem expandindo seus esforços para aumentar o número de agentes e lançado campanhas publicitárias de recrutamento. Na quarta-feira, o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos, ao qual o ICE está subordinado, anunciou que agência vai remover seus limites de idade para o recrutamento de agentes, abrindo a possibilidade de candidaturas a partir dos 18 anos e removendo o teto anterior de 40 anos.

A agência recebeu recentemente US$ 75 bilhões em financiamento extra por meio do megaprojeto fiscal de Trump aprovado no início de julho. Parte desse valor está sendo direcionado para a contratação de mais 10 mil agentes até 2029. Hoje, o ICE conta com 20 mil pessoas.

A agência também vem sendo alvo de críticas após acusações de truculência e detenções pouco transparentes. Nos últimos meses, a expansão das ações do ICE também levou a episódios de tensão social em vários estados dos EUA, mudando a rotina de muitos migrantes.

Ator chamou novo filme do Superman de "woke"

Depois do fim do bem-sucedido seriado Lois & Clark em 1997, no qual contracenou ao lado da atriz Teri Hatcher, Cain teve uma carreira artística irregular, intercalando participações em reality shows com filmes de baixo orçamento e participações especiais em seriados.

Nos anos 1990, Cain chegou a declarar apoio a candidatos democratas, mas a partir dos anos 2000 se voltou para o Partido Republicano.

Recentemente, em julho, ele reapareceu no noticiário dos EUA ao criticar o novo filme Superman (2025), uma nova versão cinematográfica do personagem, que estreou no mesmo mês e estrelado por David Corenswet no papel-título.

Ao site TMZ, Cain crticiou o novo filme por considerá-lo "woke" ou "politicamente correto". "Quão politicamente correto Hollywood vai tornar esse personagem? Quanto a Disney vai mudar sua Branca de Neve? Por que eles vão mudar esses personagens [para] se adequarem aos tempos atuais?

O personagem Superman apareceu pela primeira vez na primeira edição da revista Action Comics, publicada em 1938. A história original foi criada pelos imigrantes judeus de segunda geração, Jerry Siegel e Joe Shuster, que inventaram um super-herói que defendia os mais fracos em resposta à ascensão de do líder nazista Adolf Hitler e ao antissemitismo na Europa.

Nascido como Kal-El no planeta Kripton, os pais biológicos do bebê Superman conseguem enviá-lo para a Terra antes de morrerem em meio à destruição de seu planeta. A família que acolhe o órfão o registra fraudulentamente como seu filho biológico, Clark Kent, para encobrir o fato de que a criança é literalmente um alienígena não documentado.

Esse aspecto da biografia do super-herói foi reiterado em 2018, quando o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) publicou o livro Superman também foi um refugiado.

A aparente contradição entre a decisão do ator Cain de se juntar ao ICE e a "biografia" do personagem que lhe deu fama não passou desperecida nas redes sociais e na imprensa. "Será que Dean Cain conhece a história do Super-Homem, que ele interpretou na televisão? Ele teve que fugir de um planeta em extinção quando era bebê", questionou um artigo online da revista alemã Der Spiegel.

jps (ots, DW)

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