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Tenente réu por morte de Gisele é acusado de assédio sexual por PM

Colega de farda diz ter sido transferida para unidade distante e levou relato ao MP-SP com pedido de sigilo por receio de retaliação

Da redação
DA REDAÇÃO

23/03/2026 • 14:20 • Atualizado em 23/03/2026 • 14:33

Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da PM, foi preso suspeito de matar a mulher, a PM Gisele

Geraldo Leite Rosa Neto, tenente-coronel da PM, foi preso suspeito de matar a mulher, a PM Gisele

Kakaroto Tviate/TheNews2/Estadão Conteúdo

Réu pelo feminicídio da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi acusado de assédio sexual por uma policial militar que trabalhava com ele no Estado de São Paulo, segundo denúncia apresentada ao Ministério Público estadual.

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De acordo com o advogado da família de Gisele, José Miguel da Silva Júnior, a colega de farda registrou o relato no MP-SP e pediu sigilo, por receio de sofrer retaliações dentro da corporação.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, José Miguel afirmou que a militar contou ter sido surpreendida por uma tentativa de beijo por parte do oficial, dentro do ambiente de trabalho.

Depois de recusar a investida, ela diz que passou a ser perseguida e acabou transferida para outra unidade da Polícia Militar, sem concordar com a mudança.

Ele a transferiu para um lugar bem mais distante de onde ela morava, causando um prejuízo para ela

Relato ocorreu antes da morte de Gisele

Segundo o advogado, o episódio relatado pela policial ocorreu no segundo semestre do ano passado, período em que Neto ainda era casado com Gisele Alves Santana.

Procuradas pelo Estadão, a Secretaria da Segurança Pública e a Polícia Militar de São Paulo não responderam aos questionamentos sobre o caso até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

A defesa de Geraldo Leite Rosa Neto nega que ele tenha matado a mulher.

Caso da morte de policial começou como suspeita de suicídio

Gisele foi encontrada baleada em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava, no bairro do Brás, região central de São Paulo.

O registro inicial no boletim de ocorrência apontou suicídio, com base na versão apresentada pelo tenente-coronel de que a esposa tinha disparado contra a própria cabeça.

Mais de um mês depois, o tenente-coronel tornou-se réu por feminicídio e fraude processual no caso da morte da soldado.

Ele foi preso na última quarta-feira (18), em São José dos Campos.

O que diz o inquérito sobre a morte da policial

De acordo com relatório da Polícia Civil, ao qual o Estadão teve acesso, Neto teria imobilizado Gisele por trás com a mão esquerda, segurado a mandíbula dela e, com a mão direita, efetuado um disparo na têmpora da vítima.

O documento aponta que ela levou o tiro quando estava de frente para a janela, ao lado do sofá da sala do apartamento.

Em seguida, ainda segundo o relatório, o tenente-coronel colocou o corpo no meio da sala e acionou primeiro o superior hierárquico, coronel Bueno, antes de ligar para o número 190 da Polícia Militar.

A polícia foi chamada por volta das 7h57 e, quando os dois primeiros policiais chegaram ao local, a vítima já recebia atendimento de socorristas.

Versão do tenente-coronel para a morte da esposa

Gisele foi encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde morreu às 12h04.

Aos policiais que atenderam a ocorrência, Neto afirmou que estava no banheiro quando ouviu um barulho e, ao sair, encontrou a mulher caída no chão, com a arma dele na mão.

Ele sustenta que a esposa tirou a própria vida após ele comunicar que queria o divórcio.

Com informações do Estadão Conteúdo