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Tensões entre EUA e Venezuela podem acabar em guerra?

O professor de relações internacionais, Roberto Uebel, explicou que o 'embate' entre os dois países é de longa data e analisou a possibilidade de um conflito maior

Emanuele Braga
EMANUELE BRAGA

05/09/2025 • 21:55 • Atualizado em 05/09/2025 • 21:55

Donald Trump e Nicolás Maduro

Donald Trump e Nicolás Maduro

REUTERS/Brian Snyder | REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

A tensão entre Estados Unidos e Venezuela escalou depois que o presidente Donald Trump enviou navios para o país sul-americano, em uma operação que, segundo ele, tem o objetivo de combater os cartéis e o tráfico de drogas na região. Apesar de parecer recente, o “embate” entre os dois países é de longa data e deixa a questão: tendo em vista os últimos conflitos envolvendo os EUA, este poderia iniciar uma nova guerra?

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Em uma ofensiva no mar do Caribe, o exército dos Estados Unidos destruiu uma embarcação da Venezuela suspeita de levar um carregamento de drogas.

Um vídeo divulgado pelo governo dos EUA mostra o momento do ataque. Segundo a Casa Branca, o barco deixou o litoral da Venezuela carregado de drogas. As 11 pessoas que estavam a bordo morreram. Trump, por sua vez, disse que a lancha pertencia a um cartel de drogas.

Horas antes, o ditador Nicolás Maduro disse que a presença militar dos EUA no mar do Caribe é "injustificável" e "criminosa" e acusou o governo de tentar provocar conflitos militares na América do Sul.

De acordo com o professor de relações internacionais da ESPM, Roberto Uebel, as relações dos Estados Unidos com a Venezuela sempre foram tensas, desde o governo de Hugo Chavez, que comandou o país por 14 anos - e tinha um posicionamento contrário ao país norte-americano.

“Sempre foram relações muito tensionadas, pelos posicionamentos do Hugo Chavez, mas principalmente pela aproximação que a Venezuela faz, já no governo de Nicolás Maduro com a Rússia, com o Irã e com a China, são adversários geopolíticos dos Estados Unidos”, disse o especialista.

Desde que assumiu o segundo mandato, Trump tem adotado um tom mais agressivo contra países latino-americanos, ditando parcerias apenas com a Argentina, de Javier Milei e com El Salvador, de Genaro Bukele.

O Brasil, por exemplo, foi taxado em 50% em todos os seus produtos pelos americanos. Nesta semana, Trump afirmou que está “chateado” com o Brasil, e que o país vem fazendo “coisas ruins”

“Eu vejo que isso é pura demonstração de poder, tanto poder bélico, poder militar como poder político para exercer uma pressão no regime de Maduro, de desestabilizar o regime de Maduro”, afirmou o processor.

Tensões podem terminar em guerra?

Os Estados Unidos mobilizaram aviões de guerra na operação de combate ao tráfico de drogas no Caribe. A Venezuela diz que essa é uma justificativa para invadir o país.

Território americano no Caribe, a ilha de Porto Rico foi o local escolhido pelo governo Trump para servir como base dos modernos caças F-35. O avião, que carrega mísseis para diferentes tipos de missões e atinge até 2 mil quilômetros por hora, aumenta a presença militar nas proximidades da Venezuela.

Apesar de parecer querer ‘demonstrar poder’, Trump não deve apostar em uma invasão bélica contra a Venezuela. Isso porque, por ser parceira de ‘oponentes’ americanos, os Estados Unidos não podem garantir que a Rússia e a China ‘aceitaram a ingerência, uma invasão’, segundo a explicação de Uebel.

Inclusive, uma reunião de mais de 4h entre o presidente russo, Vladmir Putin, e Donald Trump, no Alasca, em 15 de agosto, pode ter tido os navios na costa da Venezuela como pauta, avalia o especialista. O encontro entre os dois presidentes que, em suma, discutiria o cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia terminou sem acordo.

“Eu acho que o ponto mais importante é aquele encontro de três semanas atrás, de Trump e Putin no Alasca, um encontro mais de 7 horas, não foi para discutir amenidades e não foi para falar apenas sobre a Ucrânia. Certamente a questão venezuelana foi debatida entre os dois, tanto é que Putin liga imediatamente para o presidente Lula e para o presidente Xi Jinping da China depois da conversa”, disse.