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Tesla move ação contra sindicato na Alemanha e eleva tensões

Montadora americana de carros elétricos denunciou sindicalista por suposta espionagem. Principal sindicato metalúrgico acusa empresa de querer embaralhar eleições para conselho da empresa.

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

12/02/2026 • 13:51 • Atualizado em 12/02/2026 • 14:30

Uma reunião na gigafábrica da Tesla em Grünheide, nos arredores de Berlim, virou caso de polícia na última terça-feira (10/02). O diretor da fábrica, André Thierig, acusou um representante do IG Metall, maior sindicato de metalúrgicos da Alemanha, de ter gravado a reunião do conselho da empresa sem autorização.

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"Por motivos desconhecidos, ele gravou a reunião interna e foi flagrado", escreveu Thierig no X.A IG Metall classificou a denúncia como uma mentira "descarada" e "calculada" e relatou que um membro do conselho da ala patronal afirmou que o representante da IG Metall estava gravando a reunião em um laptop, que a presidente do conselho não deu ao secretário do sindicato a oportunidade de refutar as acusações, mas interrompeu a reunião e chamou a segurança da fábrica e a polícia, que apreendeu o laptop.

A polícia informou que apreendeu provas após a empresa ter registrado uma queixa criminal e que irá discutir as próximas medidas com o Ministério Público.

História de conflitos

O caso é mais um episódio de uma história de conflitos envolvendo a única unidade da montadora de carros elétricos de Elon Musk na Europa e acontece semanas antes da eleição para a nova composição do conselho de trabalhadores. As instalações empregam cerca de 11 mil pessoas, boa parte delas representada pela IG Metall, que integra o conselho.

O sindicato considera o ocorrido parte uma tática para influenciar as eleições. "Usar acusações fabricadas para influenciar eleições nos lembra os métodos usados ​​por regimes autoritários", disse Jan Otto, gerente distrital do IG Metall (IGM) Berlim-Brandemburgo-Saxônia. "O fato de a polícia estar sendo obrigada a investigar é absurdo."

O sindicato argumenta que a remuneração da Tesla está abaixo dos níveis de outras montadoras alemãs e pede, desde o começo das operações, em 2022, salários vinculados ao acordo coletivo da indústria metalúrgica alemã e 35 horas semanais de trabalho – jornada padrão da indústria automotiva alemã –, entre outras demandas.

Histórico de conflitos

Os conflitos em torno da unidade alemã da Tesla começaram desde o anúncio da construção da gigafábrica, que pôs em alerta os cerca de 8 mil habitantes de Grünheide. Com suas vastas florestas e numerosos lagos e rios, é para lá que as pessoas se mudam quando querem escapar da agitação da capital alemã.

Estudos da associação responsável pelo abastecimento de água e esgoto no estado de Brandemburgo apontam para os riscos dos projetos de Musk para os recursos hídricos da região.

Somadas às questões ambientais, declarações de Elon Musk de apoio à AfD, partido de ultradireita alemão, azedaram a relação do país com a empresa e atiçaram as ondas de protestos.

Em todo o mundo, alguns proprietários de veículos Tesla vêm colocando adesivos em seus carros com a frase: "Comprei isso antes de Elon enlouquecer".

A reação negativa teve consequências concretas – nenhum carro da Tesla figura mais entre os dez veículos elétricos mais vendidos na Alemanha, o que ressalta o poder do sentimento do consumidor.

sf/md (dpa, ots)