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Toffoli é alvo de seis representações por condução do caso Master

Ministro é alvo de pedidos de suspeição e impeachment após decisões inusuais e revelações de elos com investigados; Fachin defende relator

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

23/01/2026 • 13:00 • Atualizado em 23/01/2026 • 13:03

Ministro Dias Toffoli

Ministro Dias Toffoli

ASCOM/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), tornou-se o centro de uma ofensiva jurídica e política motivada por sua atuação na relatoria do caso Master. Ao todo, o magistrado acumula seis representações distribuídas entre a Procuradoria-Geral da República (PGR), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Senado Federal. As queixas envolvem desde decisões judiciais consideradas atípicas até supostas ligações pessoais com alvos da investigação.

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A pressão sobre o ministro intensificou-se após a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025. Desde então, a condução do processo por Toffoli passou a ser contestada por atos processuais inusuais. O clima de desconfiança aumentou com a revelação de transações comerciais envolvendo familiares do magistrado e pessoas ligadas a investigados por fraudes financeiras.

Entenda as suspeitas e o resort Tayayá

O foco principal das representações recentes reside em uma operação imobiliária. A família de Toffoli vendeu uma participação no resort Tayayá para Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro. Zettel é investigado por fraudes financeiras na Operação Compliance Zero. A transação teria sido intermediada por uma empresa do irmão de Toffoli, sediada em Marília, no interior de São Paulo.

Embora a cunhada do ministro negue que o marido possuísse quotas no resort, parlamentares como Caroline de Toni (PL-SC), Adriana Ventura (Novo-SP) e Carlos Jordy (PL-RJ) utilizaram o fato para embasar novos pedidos de suspeição. Eles alegam que o relator mantém "conexões pessoais e patrimoniais" com os alvos do processo.

Pedidos de impeachment e atuação no Senado

Além das tentativas de afastar Toffoli da relatoria, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), acompanhado pelos senadores Damares Alves (Republicanos-DF) e Magno Malta (PL-ES), protocolou um pedido de impeachment contra o ministro no Senado.

A peça fundamenta-se em dois pilares principais:

Conflito de interesses: Devido aos vínculos apontados com investigados.

Atos processuais atípicos: Como a determinação de uma acareação considerada prematura entre representantes do Master, do Banco Central e do Banco de Brasília.

O processo aguarda análise da Advocacia do Senado para, posteriormente, ser avaliado pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Defesa e arquivamentos na PGR

Apesar do volume de representações, Toffoli conta com o apoio da cúpula do Judiciário. O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou em nota que a conduta do relator é "regular". Fachin ressaltou que eventuais questionamentos técnicos serão debatidos pelo plenário do tribunal após o recesso.

Na PGR, o procurador Paulo Gonet já negou um dos pedidos de suspeição, decisão que foi elogiada pelo ministro Gilmar Mendes. Gonet argumentou que o caso já é objeto de apuração regular e que não há providências imediatas a serem tomadas. Outras quatro solicitações de afastamento ainda aguardam parecer da Procuradoria, enquanto o CNJ analisa uma representação do deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS) por suposta violação à Lei Orgânica da Magistratura.