
Interesse por trabalho remoto segue em alta nas buscas feitas no Google
© Marcelo Camargo/Agência Brasil
O desejo por flexibilidade no mercado de trabalho segue em evidência. Dados da Sala Digital, uma parceria entre a Band e o Google, mostram que o interesse por oportunidades “home office” atingiu patamares inéditos no Brasil, crescendo 12% em relação ao ano passado e 160% nos últimos cinco anos. A busca superou inclusive os níveis registrados no início da pandemia de Covid-19 e continua em alta em 2025.
O país ocupa hoje a 12ª posição no ranking global de interesse por termos ligados a “home office” e “teletrabalho”, à frente de nações emergentes e próximo de economias desenvolvidas, como a Alemanha. O nível de procura, no entanto, ainda representa cerca da metade dos Estados Unidos.
Segundo o levantamento, a tendência reflete uma demanda permanente dos profissionais por formatos de trabalho mais flexíveis, mesmo diante da pressão de empresas para o retorno total ou parcial aos escritórios.
Resistência ao retorno total ao presencial
Grandes companhias de tecnologia e instituições do setor financeiro foram algumas das que retomaram a exigência de presença cinco dias por semana. Mas a decisão tem enfrentado resistência.
De acordo com pesquisa do International Workplace Group, 67% dos recrutadores já percebem aumento no número de candidatos dispostos a deixar empresas que optam pelo regime 100% presencial. No Brasil, levantamento do Meio & Mensagem apontou, no ano passado, redução na flexibilidade das agências, com adoção do modelo híbrido e mais dias de trabalho presencial.
Por que as empresas têm voltado atrás?
Outro estudo, este feito pela Mercer Brasil sobre trabalho flexível e entrega, indica que a principal preocupação das companhias em relação ao trabalho remoto está ligada à produtividade. 72% dos executivos estão preocupados que os trabalhadores remotos tenham dificuldade para avançar ou serem promovidos. Por outro lado, 76% dos colaboradores acreditam que suas organizações serão mais bem-sucedidas com trabalhadores remotos/híbridos.
O olhar dos profissionais
Do lado dos trabalhadores, o modelo remoto é associado à possibilidade de equilibrar vida profissional e pessoal, reduzindo custos, tempo gasto em deslocamentos e ampliando a qualidade de vida. Em muitos casos, a falta de flexibilidade é apontada como fator decisivo para considerar uma demissão.
Híbrido desponta como tendência
Apesar das divergências, o modelo híbrido - que combina dias presenciais e remotos - tem ganhado força. O relatório de Tendências da Empregabilidade 2025, da plataforma Gupy, aponta o híbrido como a principal aposta para os próximos anos, enquanto o remoto tende a uma estabilização e o presencial integral enfrenta resistência.
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