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Tráfico recorde na Europa amplia pressão contra o crime na América Latina

Autoridades do continente cobram do Brasil e de outros países latino-americanos medidas mais efetivas contra as organizações criminosas que atuam na região e alimentam o mercado internacional

Da redação
DA REDAÇÃO

13/08/2026 • 10:32 • Atualizado em 13/08/2026 • 10:32

Sonia Blota
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O consumo e o tráfico de drogas no continente europeu continuam batendo recordes e alarmando a sociedade.

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Em Portugal, as apreensões de cocaína vêm aumentando. Em 2025, foram apreendidas 25,6 toneladas — e, neste ano, novas operações já resultaram na apreensão de grandes carregamentos. Em julho, por exemplo, três toneladas foram interceptadas no Algarve. É importante lembrar: isso é apenas o que as autoridades conseguem apreender. O volume que efetivamente chega ao mercado é muito maior.

Grande parte da droga entra na Europa pelo mar e, a partir dos países de entrada, é distribuída para diferentes mercados do continente. Portugal, Espanha e outros países da costa atlântica são importantes rotas de entrada para a cocaína vinda da América Latina. Operações recentes mostram justamente o uso de embarcações para transportar grandes carregamentos pelo Atlântico.

Organizações criminosas brasileiras também passaram a aparecer nas investigações sobre o tráfico internacional. O PCC, por exemplo, já foi apontado pelas autoridades em diferentes operações ligadas ao tráfico transnacional.

Na França, a cidade portuária de Marselha é um dos principais pontos de concentração do tráfico no país. Ao redor do porto e nos subúrbios, grupos ligados ao narcotráfico cometem todo tipo de crime, inclusive assassinatos. Há também uma . Esse ceexplosão do consumo, com o crack cada vez mais presente entre os usuários jovensnário se repete em outras cidades e países do continente europeu.

As autoridades estão reformulando políticas de combate às drogas com o endurecimento de penas, maior compartilhamento de informações, reforço dos equipamentos e efetivos policiais, além da criação de estruturas especializadas.

Imigração, poder aquisitivo e segurança estão entre os temas que mais preocupam a sociedade europeia, segundo diferentes pesquisas de opinião. É explorando essas preocupações que a chamada "nova direita" vem avançando no continente.

É claro que cada país é responsável pelo que acontece em seu próprio território. Mas o controle das fronteiras precisa ser mais eficaz, tanto no combate ao tráfico de drogas quanto ao de armas. É aquela história: onde há consumo, há mercado; onde há mercado, há tráfico — e, muitas vezes, violência.

Os países europeus também começam a apontar para as nações produtoras e exportadoras como parte importante do problema. Autoridades do continente cobram do Brasil e de outros países latino-americanos medidas mais efetivas contra as organizações criminosas que atuam na região e alimentam o mercado internacional. A pressão internacional vem aumentando.

Ainda não chegou ao nível da estratégia adotada pelos Estados Unidos, que passaram a tratar o narcotráfico como uma questão de segurança nacional. O governo americano ampliou as operações militares contra embarcações suspeitas de transportar drogas no Caribe, passou a classificar determinadas organizações criminosas como terroristas e intensificou o uso das forças de segurança no combate direto ao crime organizado — além, é claro, da pressão comercial.

Diante desse cenário, o Brasil já deveria ter começado um combate mais rigoroso às facções em nosso território. O que temos visto, no entanto, é o contrário: além da violência e das mortes, o crime organizado se instalou em setores da economia e há investigações sobre sua infiltração em diferentes instituições.

Ficar inerte diante disso já está trazendo graves consequências para o país — e a situação só tende a piorar. O mundo está de olho nesse problema. E, no caso do Brasil, o eleitor também.

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