
Bandeira do Irã
REUTERS/Leonhard Foeger/File Photo
Uma poderosa armada com porta-aviões, destroieres, centenas de caças bombardeiros de diversos tipos e com 30 a 40 mil soldados na região, os Estados Unidos está impondo três condições ao Irã:
- Fim permanente a todo enriquecimento de urânio;
- Limitar o raio de ação e o número de seus mísseis balísticos; e
- Acabar com o apoio ao Hamas, Hezbollah e Houthis.
O conselheiro do presidente do parlamento iraniano, Mehdi Mohammadi, equiparou as condições dos EUA a uma “rendição”. E o almirante Ali Shamkhani publicou em redes sociais que um ataque ao Irã significará o incêndio de Tel Aviv. Israel está em alerta máximo.
Falando ontem a uma comissão do Congresso, o secretário de Estado Marco Rubio admitiu que “ninguém sabe quem poderá suceder o regime iraniano”. Ele disse que a armada americana mobilizada no Golfo “é largamente defensiva”, porque milhares de americanos estão dentro da área alcançada pelos drones e mísseis balísticos iranianos”. Mas não descartou que os EUA podem atacar “preventivamente”.
Enfraquecido pela Guerra de 12 Dias, em junho passado, o Irã não respondeu às condições impostas pelos EUA, porque não houve encontros diretos entre iranianos e americanos. O enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, Steve Witkoff, tentou contato com o chanceler Abbas Araghchi. Mas ele, atualmente, precisa de permissão do presidente Masoud Pezeshkian para falar.
Diante do Ministério das Relações Exteriores em Teerã, Araghchi disse a repórteres que a posição iraniana é a de que “diplomacia não pode ser eficaz e dar resultados através de ameaças militares”. E acrescentou: “Se os americanos querem negociar, que ponham de lado as ameaças, as exigências excessivas e pedidos fantasiosos”. Para ele, uma guerra vai desestabilizar todo o Oriente Médio. “Será confusa, feroz e se arrastará por muito, muito mais tempo do que os cronogramas fantasiosos que Israel e seus aliados estão tentando vender à Casa Branca.”
Araghchi concluiu com uma ameaça: “Nossas bravas forças armadas estão preparadas, com o dedo no gatilho, e vai responder, imediata e poderosamente, a qualquer agressão à nossa querida terra, ar e mar”.
Em todos os atuais comunicados, notável é a ausência de referências aos 3.117 mortos dos últimos protestos no Irã, contados por grupos de direitos humanos que alertam que o total poderá chegar a 6.200. O presidente Trump, na época, gabando-se do sequestro do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, prometeu aos manifestantes sob violenta repressão, que “a ajuda está a caminho”, e ela chegou semanas depois, a bordo do porta-aviões Abraham Lincoln e sua escolta de destroieres.
A Guerra de 12 Dias, em junho, em que Israel atacou o Irã com uma ajuda final de bombardeiros americanos, destruiu parcialmente as três maiores usinas nucleares iranianas em Natanz, Fordo e Isfaham, soterrando urânio enriquecido, além de decapitar a cúpula militar e os principais cientistas do programa atômico.
O jornal New York Times considera a primeira condição imposta ao Irã “difícil de monitorar”. É a que prevê o fim do estoque de urânio enriquecido. Pequenas refinarias podem enriquecer urânio já 60% enriquecido para obter algumas armas nucleares, mas será preciso desenterrá-lo. A segunda condição, limitar o número e raio de ação de mísseis balísticos, se cumprida, impedirá o Irã de atingir o território israelense. E reduzirá seu poder de dissuasão. A terceira condição pode ser dada como atendida, pois o Irã, a economia em frangalhos, o que acendeu a revolta popular iraniana, não tem condições de ajudar o Hamas, o Hezbollah e os Houthis iemenitas.
Nesta semana, passaram por Washington os chefes da inteligência israelense e saudita. A Arábia Saudita anunciou que seu espaço aéreo estará fechado para ataques ao Irã. E apela por uma solução diplomática para a crescente tensão. Israel, ao contrário, foi compartilhar alvos preferenciais e informações secretas.

