
Donald Trump
REUTERS/Jonathan Ernst
O cenário político global vive dias de incerteza sob o comando de Donald Trump. Em seu segundo mandato, o presidente dos Estados Unidos vem intensificando uma abordagem de governo centrada em humores pessoais e retaliações diretas, colocando em xeque alianças históricas e a ordem internacional estabelecida desde a Segunda Guerra Mundial.
A turbulência mais recente envolve o primeiro-ministro canadense, Mark Carney. Ofendido pela postura assertiva de Carney, Trump revogou o convite para que o líder integrasse seu recém-criado Conselho da Paz. A organização, inicialmente voltada para o cessar-fogo entre Israel e Hamas, tem se expandido de forma que críticos temem uma tentativa de rivalizar com as Nações Unidas.
Diplomacia sob ameaça e o caso da Groenlândia
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump deixou claro que sua política externa é guiada pela reciprocidade pessoal. O presidente chegou a reduzir tarifas impostas à Suíça apenas porque o líder do país o teria "desagradado" em uma ligação.
Mais grave ainda foi a pressão sobre a Dinamarca. Trump exigiu que o país cedesse ao controle americano sobre a Groenlândia, disparando um ultimato: "Vocês podem dizer não, e nós vamos nos lembrar". O movimento é visto como um risco direto à integridade da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Resistência internacional: "Se você não está à mesa, está no cardápio"
A falta de previsibilidade da Casa Branca começou a gerar uma reação em cadeia. Mark Carney emergiu como um dos líderes do movimento para contrabalançar o poder americano. Em um discurso contundente, Carney afirmou que as "potências médias" precisam se unir para não se tornarem reféns das grandes potências. "O arco da História não está destinado a se curvar em direção ao autoritarismo", declarou o premiê canadense.
No Reino Unido, o primeiro-ministro Keir Starmer também subiu o tom. Ele classificou como "revoltantes" os comentários de Trump que questionaram se a OTAN apoiaria os EUA em um conflito. Starmer lembrou que a única vez que o Artigo 5º da aliança (ajuda mútua em caso de ataque) foi usado, foi justamente para proteger os Estados Unidos após o 11 de setembro.
Uma estratégia sem resistência interna
Enquanto o mundo reage com cautela e formação de novos blocos de cooperação, em Washington a resistência é quase nula. Com o Congresso controlado por republicanos, assessores como Steve Bannon afirmam que a estratégia de Trump é "maximalista": avançar até encontrar resistência.
Para senadores americanos da oposição, como Chris Coons, a postura de Trump só encontra limite quando enfrenta firmeza, citando a China como exemplo. Segundo ele, países que tentaram a conciliação, como os da União Europeia, não conquistaram o respeito do presidente e continuam vulneráveis a tarifas súbitas e retaliações diplomáticas.
*Com informações do Estadão Conteúdo.
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