
Trump
REUTERS/Brian Snyder
O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que qualquer país que realize negócios com o Irã enfrentará uma tarifa comercial de 25% sobre todas as transações efetuadas com os Estados Unidos. A medida tem como objetivo punir o regime iraniano pelo massacre contra manifestantes que desafiam os aiatolás nos últimos dias.
A Casa Branca não descartou o uso da força caso a violência persista e solicitou que todos os cidadãos norte-americanos deixem o território iraniano imediatamente. Outras nações seguiram o conselho; a França, por exemplo, mantém apenas o quadro diplomático essencial para serviços básicos.
Crise interna e repressão violenta O Irã, recentemente admitido como membro do BRICS, vive uma onda de protestos sem precedentes nos 47 anos de história da República Islâmica.
As manifestações, espalhadas por todo o país, são motivadas por uma combinação de revolta contra a repressão aos costumes — como a obrigatoriedade do véu e a falta de liberdade para as mulheres — e uma grave crise econômica.
O estopim da revolta é o colapso financeiro: a inflação atinge 50%, os preços de alimentos básicos como pão e carne estão proibitivos e o Rial (moeda local) sofre uma desvalorização acentuada frente ao dólar e ao euro. A resposta do governo tem sido a "mão de ferro".
Segundo agências de direitos humanos, o número de mortos já ultrapassa 570, embora o balanço real possa ser muito maior devido à censura oficial. Fraqueza do regime e isolamento O regime também enfrenta desafios externos.
Líderes europeus condenam repressão no Irã e mortes chegam a 648
O recente ataque de Israel ao Hezbollah — braço do poder iraniano no Oriente Médio — e a eliminação de líderes e físicos ligados ao programa nuclear foram vistos pela população como sinais de fraqueza da Guarda Revolucionária. Além disso, bombardeios recentes dos EUA contra centrais nucleares aumentaram a pressão sobre Teerã.
Consequências para o Brasil A nova política de tarifas de Trump acende o alerta no Itamaraty. O Irã é um parceiro comercial relevante para o agronegócio brasileiro: Exportações: Em 2025, totalizaram US$ 2,9 bilhões. O milho representa 68% desse montante, seguido pela soja com 19%. Importações: O Brasil comprou US$ 85 milhões do Irã, principalmente em adubos e fertilizantes químicos essenciais para a nossa lavoura.
O Brasil vinha apostando no mercado iraniano para expandir sua presença no Oriente Médio, especialmente após a entrada do país no BRICS. Agora, o governo brasileiro avalia os efeitos práticos da nova tarifa americana e como ela poderá afetar o fluxo comercial com os Estados Unidos caso as exportações para o Irã sejam mantidas.
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