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Trump anuncia segunda fase da trégua em Gaza para ‘muito breve’

Segunda fase do plano espera a solução de um problema: o Hamas não quer desarmar-se -- e, por consequência, Israel não recua suas tropas para a fronteira

Por Redação
REDAÇÃO

04/12/2025 • 12:16 • Atualizado em 04/12/2025 • 12:16

Moises Rabinovici
Trump, presidente dos Estados Unidos

Trump, presidente dos Estados Unidos

Win McNamee/Pool via REUTERS

A segunda fase do plano de paz do presidente Donald Trump para Gaza está esperando a solução de um problema: o Hamas não quer desarmar-se -- e, por consequência, Israel não recua suas tropas para a fronteira.

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O problema pode ser invertido: Israel se recusa a mover suas tropas para novas posições – e, por consequência, o Hamas não entrega suas armas.

Enquanto persiste o impasse, a Força de Estabilização Internacional não recruta seus soldados, porque nenhum país quer obrigar os grupos armados de Gaza a depor suas armas. Fora isso, Israel rejeita um dos países que a integraria -- a Turquia, que tem boas relações com o Hamas e cujo presidente, Recep Erdogan, acusa as forças israelenses de genocídio em Gaza.

Um único ponto dos 20 da segunda fase do plano de paz está sendo implementado, mas com alguma controvérsia: a abertura da porta de Rafah, que liga Gaza ao Egito. Israel diz que por ela poderão sair os palestinos que o desejarem, mais os feridos e doentes que queiram seguir tratamento no Cairo. Mas por ela, no entanto, será proibida a entrada de quem saiu.

A segunda fase também prevê a formação do Conselho da Paz, que Trump presidiria. A primeira fase do plano de paz, assinada por todas as partes em 9 de outubro, está por se encerrar, faltando os restos mortais de um soldado israelense, depois que todos os reféns vivos foram libertados em troca de centenas de prisioneiros palestinos.

Mesmo com a vigência do plano de paz têm ocorrido escaramuças diárias. A última, como Trump contou a repórteres no Salão Oval, ontem, “foi uma bomba que explodiu, ferindo alguns soldados gravemente”. Por causa dessa bomba, Israel bombardeou Gaza, matando cinco palestinos, somados ao total que já passou dos 70 mil mortos, segundo a relação do Ministério da Saúde do Hamas, que não diferencia entre civis e combatentes.

O beduíno Yasser Abu Shabab, que formou um grupo armado pró-Israel em Gaza, o Forças Populares, morreu ontem durante “um confronto interno”, confirmaram fontes militares israelenses. Numa entrevista ao New York Times, ele admitiu que chegou a tomar caminhões de comida enviados aos palestinos para alimentar o seu próprio pessoal. “O Hamas sequestra a ajuda humanitária para vender; e nós, para nos alimentar”, afirmou. Ele também disse que fez a escolta de 92 caminhões para impedir que fossem sequestrados. Shabab, 30, chegou ferido a um hospital israelense, onde morreu.

Trump estava otimista ontem, acrescentando aos repórteres que seu plano de paz está sendo executado “muito bem”, e que a paz reina no Oriente Médio, “embora o povo não a veja”. Ele ainda prometeu a segunda fase para “muito breve”.

Em outro front, o israelense-libanês, um segundo encontro entre representantes do Líbano e de Israel está previsto ainda para este mês -- o primeiro, em décadas, foi realizado ontem, na sede da ONU em Naqoura. O problema, aqui, é o desarmamento do Hezbollah, que decidiu não entregar armas, e sua volta ao sul do rio Litani, quando o acordo de cessar-fogo prevê que seus homens não se aproximariam da fronteira israelense. A paz na região também tem sido entrecortada por bombardeios aéreos de Israel ao sul do Líbano.

O segundo encontro líbano-israelense poderá evoluir para um diálogo sobre a normalização de relações entre os dois países.

Em Israel, o primeiro-ministro Netanyahu nomeou para próximo chefe do Mossad o seu secretário militar, general Roman Gofman, nascido na Bielorrússia. Ele vai substituir David Barnea, cujo mandato de cinco anos vai se encerrar em junho de 2026. Houve um tempo em que a identidade do chefe do Mossad era secreta e censurada, se algum jornal a quisesse publicar.

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