
Trump na Casa Branca
Nathan Howard/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, celebrou a demissão de diretores da BBC após a emissora britânica ser acusada pela Casa Branca de espalhar fake news.
A emissora britânica foi acusada de editar de forma leviana discurso de Trump a apoiadores antes da invasão do Capitólio em 2021. Fala está em documentário exibido em 2024, dias antes de ele ser reeleito.
“Os principais executivos da BBC, incluindo Tim Davie, o chefe, estão todos se demitindo/foram demitidos porque foram pegos adulterando meu excelente (perfeito!) discurso de 6 de janeiro (...)”, escreveu o republicano na plataforma Truth Social.
“São pessoas muito desonestas que tentaram interferir em uma eleição presidencial. Além de tudo, são de um país estrangeiro, considerado por muitos como nosso principal aliado. Que coisa terrível para a democracia!”, completou.
Demissões na BBC
No centro da polêmica está um programa sobre Trump veiculado pela BBC às vésperas da reeleição dele nos Estados Unidos, em novembro de 2024, com a reprodução de trechos de um discurso de 2021 do republicano a apoiadores momentos antes da invasão do Capitólio.
"Como todas as organizações públicas, a BBC não é perfeita, e temos que ser sempre abertos, transparentes e responsáveis", declarou Davie em um comunicado postado no site da emissora. "Embora não tenha sido o único motivo, o atual debate em torno da BBC News compreensivelmente contribuiu para a minha decisão. No geral, a BBC tem trabalhado bem, mas houve alguns erros e eu, como diretor-geral, tenho que assumir a responsabilidade."
Já Turness afirmou em nota aos funcionários que a polêmica em torno do documentário sobre Trump "chegou a um estágio onde está causando danos à BBC – uma instituição que eu amo". "Embora erros tenham sido cometidos, quero que fique absolutamente claro que as alegações recentes de que a BBC News é institucionalmente enviesada são errôneas."
A BBC está sob escrutínio permanente da imprensa britânica por ser uma empresa pública de comunicação, financiada por uma taxa de 174,5 libras esterlinas (R$ 1.224,75) cobrada de cada domicílio britânico.
Um dos apresentadores da BBC, Nick Robinson, disse que a preocupação com os padrões editoriais da emissora é "genuína", mas que temia estar em curso "uma campanha política por pessoas que querem destruir a organização".
Crise começou com denúncia à imprensa britânica
A crise de imagem na BBC foi deflagrada com a publicação na imprensa britânica de partes de um dossiê crítico à emissora elaborado por Michael Prescott, que no passado prestou consultoria à empresa pública de comunicação.
Prescott aponta que, no caso da reportagem sobre Trump, duas falas proferidas em momentos distintos do discurso de 2021 foram juntadas na edição para sugerir que o presidente teria incentivado a invasão do Capitólio "Nós vamos marchar até o Capitólio e eu estarei lá com vocês [...]. E nós lutaremos. Nós lutaremos à beça."
A edição da BBC também não incluiu um trecho em que Trump, que não aceitou a derrota eleitoral para Joe Biden, dizia a apoiadores que queria que eles protestassem de forma "pacífica e patriótica".
Prescott também criticou a redação árabe da BBC, acusando-a de ter um viés anti-Israel na cobertura da guerra na Faixa de Gaza e de trabalhar com colaboradores que manifestaram visões antissemitas. Também disse que a emissora adotou uma posição militante em relação a questões de gênero, recusando-se a cobrir "qualquer história que levantasse questões difíceis".
Reagindo ao dossiê de Prescott na sexta-feira, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, referiu-se à BBC como "100% fake news" e a chamou de "máquina de propaganda".
As denúncias também repercutiram entre conservadores britânicos. Um deles, o ex-premiê Boris Johnson, disse que Davie tinha que "se explicar ou renunciar [ao cargo]", e acusou-o de adotar um "viés esquerdista" à frente da emissora.
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