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Morte de mulher por agente do ICE gera guerra de versões nos EUA

Trump alega legítima defesa contra "agitadora", enquanto autoridades de Minnesota contestam narrativa federal

Da redação, com Estadão Conteúdo
DA REDAÇÃO, COM ESTADÃO CONTEÚDO

07/01/2026 • 20:02 • Atualizado em 07/01/2026 • 20:09

A morte de uma mulher baleada por um agente de imigração do governo Donald Trump, nesta quarta-feira (7), deflagrou um conflito diplomático e de versões entre o governo federal dos Estados Unidos e as autoridades estaduais de Minnesota. O incidente ocorreu em Minneapolis e opõe o discurso da Casa Branca aos relatos do governo local.

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Enquanto o presidente Donald Trump e integrantes do alto escalão federal afirmam que os disparos foram realizados em legítima defesa, o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, negam a versão e criticam a conduta dos agentes da Imigração e Alfândega (ICE).

Trump culpa "esquerda radical" por incidente

Em pronunciamento sobre o caso, Donald Trump afirmou que a mulher agia de forma "desordeira" e que resistiu ao trabalho dos agentes de maneira "violenta e cruel". O presidente americano classificou a vítima como uma "agitadora profissional" e transferiu a responsabilidade do ocorrido para seus opositores políticos.

Para o mandatário, o episódio é um reflexo de ataques sofridos pelas forças de segurança. "A razão pela qual esses incidentes estão acontecendo é porque a 'esquerda radical' está ameaçando, agredindo e atacando nossos policiais e agentes do ICE diariamente", declarou Trump, ressaltando que a situação ainda está sob estudo.

Na mesma linha, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, classificou a ação da mulher como um ato de "terrorismo doméstico". Segundo a secretária, a vítima teria tentado atropelar os agentes federais antes de ser alvejada.

Autoridades locais contestam "máquina de propaganda"

O governador Tim Walz reagiu duramente às declarações vindas de Washington. Walz, que foi candidato a vice-presidente na chapa de Kamala Harris em 2024, afirmou ter assistido ao vídeo do incidente e pediu que a população não acredite no que chamou de "máquina de propaganda" do governo federal.

"O estado garantirá que haja uma investigação completa, justa e rápida para assegurar a responsabilização e a justiça", escreveu o governador em suas redes sociais. Em coletiva, Walz demonstrou revolta, mas apelou por protestos pacíficos para evitar que o governo federal utilize manifestações para promover um "espetáculo".

O prefeito Jacob Frey acompanhou as críticas, chamando as falas de Noem de "lixo completo". Frey questionou a presença de mais de 2.000 policiais federais enviados para Minneapolis e Saint Paul. "O que eles estão fazendo não é proporcionar segurança; estão causando caos e desconfiança", avaliou.

Polícia relata que vítima foi baleada na cabeça

O chefe de polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, apresentou uma descrição técnica do ocorrido que diverge da narrativa de agressividade relatada pelo governo federal. De acordo com O'Hara, a mulher estava em seu veículo bloqueando uma via quando um agente federal se aproximou a pé.

Segundo o relato do chefe de polícia, o carro começou a se afastar no momento em que pelo menos dois tiros foram disparados. O'Hara confirmou que a mulher foi atingida na cabeça e que o veículo parou após bater na lateral da via. Não houve indicação inicial, por parte da polícia local, de que a motorista tentasse ferir os agentes.

O comissário do Departamento de Segurança Pública de Minnesota, Bob Jacobson, informou que o estado conduzirá uma investigação conjunta com as autoridades federais. Ele ressaltou que o processo está em fase inicial e que qualquer afirmação conclusiva agora seria apenas "especulação".