
Trump em entrevista à Fox News; presidente disse ver acordo próximo com Irã
Reprodução Fox News
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (30) que Washington está próximo de fechar um acordo nuclear com o Irã, mas voltou a ameaçar uma ação militar caso as negociações fracassem, em um momento em que a Casa Branca tenta endurecer os termos do entendimento discutido entre os dois países.
Em entrevista exibida pela Fox News, Trump disse que os EUA estão “perto de um acordo muito bom”, embora tenha sinalizado que a alternativa militar continua sobre a mesa se Teerã não aceitar as exigências americanas.
“Estamos perto de um acordo muito bom. Se você estiver com pressa, não vai fazer um bom acordo”, disse o republicano. “Lenta, mas seguramente, estamos conseguindo o que queremos —e, se não conseguirmos, vamos encerrar isso de uma forma diferente.”
A declaração ocorre em meio a uma nova rodada de negociações sobre os termos do pacto. De acordo com The Telegraph, Trump pediu alterações no texto acertado entre enviados americanos e iranianos, reabrindo discussões que podem durar vários dias.
De acordo com o portal, o presidente americano quer endurecer pontos ligados ao programa nuclear iraniano, especialmente sobre o destino do urânio enriquecido do país e os prazos para transferência desse material. Também busca rever a redação de trechos sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, corredor marítimo por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo.
Trump afirmou à Fox News que os iranianos são “bons negociadores”, mas sustentou que os EUA agora têm vantagem nas conversas porque, segundo ele, o Irã foi “militarmente derrotado”. “Temos todas as cartas”, disse. O presidente também sugeriu mudanças importantes no conteúdo do acordo.
Segundo Trump, o texto negociado passou a prever não apenas que Teerã não desenvolverá armas nucleares, mas que também não poderá adquiri-las. “Eles disseram que não estavam desenvolvendo uma arma nuclear. Eu respondi: ‘E se vocês comprarem uma arma nuclear?’”, afirmou. “Agora está escrito que eles não vão desenvolver nem, de qualquer forma, adquirir uma arma militar. É uma grande diferença.”
Ao comentar o risco de fracasso das tratativas, Trump voltou a mencionar a possibilidade de uso da força. “Estamos perto de um acordo muito bom. Se conseguirmos, ótimo. Caso contrário, começamos com o Departamento de Guerra, como chamamos”, disse, em referência a uma eventual escalada militar.
Na sexta-feira (29), Trump reuniu integrantes do alto escalão do governo e militares na sala de crise da Casa Branca para discutir o tema, mas o encontro terminou sem anúncio de próximos passos.
Também neste sábado, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que o país está preparado para retomar ataques contra o Irã caso não haja acordo, reforçando o tom de pressão adotado pela Casa Branca enquanto as negociações seguem em curso.
O conflito entre EUA, Israel e Irã se intensificou após a ofensiva militar iniciada em 28 de fevereiro, quando forças americanas e israelenses passaram a atingir alvos iranianos sob o argumento de conter ameaças ligadas ao programa nuclear de Teerã e a grupos aliados na região.
Desde então, a guerra provocou milhares de mortes, sobretudo no Irã e no Líbano, além de impactos no mercado global de energia, com tensões em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo.
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