Em meio a um clima de comemoração que se estendeu de Israel e Palestina até os Estados Unidos, o acordo de paz mediado pelo presidente americano Donald Trump entre Israel e o grupo Hamas reacendeu a expectativa sobre a iminente cerimônia do Prêmio Nobel da Paz, que será anunciada nesta sexta-feira (10). Trump tem manifestado publicamente seu desejo de ser agraciado com a honraria, e o acordo recente impulsiona sua ambição.
O plano, anunciado na véspera após negociações realizadas no Egito e desenhado pelo próprio presidente americano, prevê uma série de medidas imediatas para encerrar o doloroso conflito na Faixa de Gaza.
Conforme detalhou o repórter Eduardo Barão, de Nova York, o cessar-fogo está programado para começar hoje à noite (no horário do Oriente Médio), com desdobramentos críticos já no dia seguinte. "A partir daí, amanhã começa a retirada das tropas israelenses que estão na Faixa de Gaza e também a libertação dos reféns que estão em poder do Hamas," explicou o repórter.
Donald Trump, que segundo Barão "quer participar desse processo," já indicou que a mediação não é seu único objetivo. O presidente sinalizou que pretende ir ao Oriente Médio e comandar uma equipe para a reconstrução da Faixa de Gaza, região que foi duramente devastada pelos ataques.
Ceticismo da Imprensa
Apesar do otimismo na Casa Branca e do inegável sucesso diplomático, a imprensa internacional mantém um ceticismo cauteloso quanto às chances de Trump levar o prêmio já nesta edição.
Segundo Eduardo Barão, o desejo do presidente é ser anunciado como vencedor, mas "a imprensa não acredita que isso vai acontecer." O repórter ressaltou que, embora seja uma vitória para os palestinos e para os familiares dos reféns, é inegavelmente "uma vitória de Donald, que desenhou todo esse plano."
A história mostra que a mediação em si nem sempre garante a honraria ao mediador. Barão relembrou o exemplo dos Acordos de Oslo: "Tivemos em 94, por exemplo, Bill Clinton numa foto histórica reunindo Isaac Rabin na Casa Branca. Naquela ocasião, [Yasser] Arafat e [Isaac] Rabin ganharam o Prêmio Nobel da Paz, não Clinton."
Contudo, mesmo que não seja o laureado, o repórter destacou que Trump já considera o resultado do acordo um triunfo pessoal, e que, de qualquer forma, "ele sai como vitória."
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