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Trump: mais uma semana para o cessar-fogo em Gaza

O novo mapa da retirada parcial de Israel em Gaza, submetido aos mediadores em Doha, não será suficiente para desbloquear as negociações do cessar-fogo com o Hamas

Por Redação
REDAÇÃO

14/07/2025 • 17:48 • Atualizado em 14/07/2025 • 17:48

Moises Rabinovici
Donald Trump durante encontro com líderes africanos na Casa Branca

Donald Trump durante encontro com líderes africanos na Casa Branca

Kevin Lamarque/Reuters

O novo mapa da retirada parcial de Israel em Gaza, submetido aos mediadores em Doha, não será suficiente para desbloquear as negociações do cessar-fogo com o Hamas, paralisadas há quatro dias, como antecipou um diplomata árabe.

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“Netanyahu é um especialista em frustrar negociações” e “não está interessado em alcançar nenhum acordo”, reagiu o Hamas.

A nova versão do mapa israelense reduz a zona tampão em Rafah de três quilômetros para dois. Israel quer o espaço para criar a polêmica “Cidade Humanitária” para receber, inicialmente, 600 mil palestinos, que só serão livres para sair dela se forem para o exílio em algum país que os aceitem. Com o tempo, toda a população de Gaza, o restante 1.600 milhão, deverá estar dentro do que já é chamado de “campo de concentração”, de terrível memória para os judeus.

“É um campo de concentração”, disse o ex-premiê (2006 a 2009) Ehud Olmert ao jornal britânico The Guardian, em entrevista publicada no domingo. Ele acrescentou que passará a ser “limpeza étnica”, se os palestinos começarem a ser deportados da “Cidade Humanitária”. Advogados e juristas israelenses antecipam que Israel poderá ser acusado por crimes de guerra e contra a humanidade.

O negociador sênior do Hamas, Husam Badran, descreveu o plano de criação da Cidade Humanitária como uma “inclusão deliberadamente obstrutiva” para complicar as negociações. “Essa ideia é totalmente inaceitável, e nenhum palestinos a aceitará”. Alguns negociadores do cessar-fogo acham que o plano foi anunciado por Israel apenas como tática para persuadir o Hamas a fazer concessões para a conclusão do acordo.

Em Washington, o presidente Donald Trump disse que “estamos indo muito bem em Gaza”, e que “teremos alguma coisa muito em breve para anunciar”. Em 27 de junho, ele prometeu que o cessar-fogo começaria “na próxima semana”. Foi o que ele repetiu nesta segunda-feira: “Talvez um acordo nesta semana”.

Sem cessar-fogo, ataques israelenses mataram mais 117 palestinos e feriram 557 nas últimas 24 horas, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. Cinco entre os mortos esperavam ajuda humanitária no Hospital Nasser, em Khan Yunis. A outro hospital, Shifa, chegaram 12 corpos, entre eles os de três crianças e duas mulheres. A cada dia sem acordo, os familiares dos 20 reféns vivos temem por suas vidas e protestam contra o premiê Netanyahu. Uma ex-refém, Ilana Gritzewsky, cujo companheiro continua refém por 647 dias, lembrou-lhe: “você será lembrado não pelos discursos, mas por suas ações”.

Em um comunicado em árabe, as Forças de Defesa de Israel alertaram os gazenses de que é proibido ir à praia em Gaza. Mas eles lotam a areia – o mar sendo o único escape ao calor de deserto. Até agora, não foram incomodados, mas os pescadores, sim, proibidos de partir com seus barcos em busca de peixe, a comida possível entre os que não estão no circuito da ajuda humanitária.

As negociações estão paralisadas porque Israel quer a chance de retornar à guerra, depois de 60 dias de trégua, enquanto o Hamas quer garantias de que qualquer cessar-fogo evolua para a total cessação de hostilidades.

O Hamas provocou a guerra ao matar 1.200 israelenses e sequestrar 250 outros em outubro de 2023. Para o premiê Netanyahu, a guerra só acabará com o fim do Hamas, ou a “vitória total”. Por isso, ele só aceita cessar-fogo parcial, como o anterior, em janeiro, violado em março por bombardeios israelenses antes de passar para uma segunda fase prevista em que seria discutida a retirada das forças de Israel de Gaza.

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