
Trump
REUTERS/Brian Snyder
Resumo
Discurso do presidente americano Donald Trump marcou o Fórum Econômico Mundial em Davos, com anúncio do Conselho de Paz para Gaza, repetição de feitos de seu governo e afirmações polêmicas sobre guerras, Irã, Ucrânia, Gaza e Hamas.
Criação do Conselho de Paz de Gaza gerou controvérsia entre líderes europeus, que temem domínio americano e possível formação de uma ONU paralela, enquanto Trump e Zelensky avançam em negociações sobre a Ucrânia com envolvimento direto de negociadores americanos e aproximação com Moscou.
Reunião extraordinária de líderes europeus em Bruxelas evidenciou sentimento de abandono em relação aos EUA, preocupação com expansão russa e desafios econômicos, enquanto Trump criticou duramente a Europa e reafirmou interesse na Groenlândia, gerando reações negativas e defesa da soberania por parte da Dinamarca.
Mais um dia da mais agitada edição do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, dos últimos anos. No menu de hoje, o presidente americano Donald Trump deu início ao chamado Conselho de Paz para Gaza. Em seu discurso, Trump voltou a destacar os feitos de seu governo, praticamente repetindo o discurso de ontem, enfatizando o que diz ter feito pela paz mundial.
Trump lança ‘Conselho da Paz’ com críticas à ONU: ‘Nunca falei com eles’
Trump voltou a afirmar que acabou com oito guerras no mundo — algo que é questionado pela comunidade internacional — e que, desde que assumiu, o mundo estaria mais seguro, mais próspero e em paz. Destacou que capturou o ditador Nicolás Maduro, que aniquilou o programa de armamentos nucleares do Irã e disse, ainda, que a guerra da Ucrânia será resolvida, que a situação de Gaza já estaria solucionada e que o Hamas deve se desarmar completamente.
ONU paralela e negociações com a Rússia
Após o discurso, Trump deu início ao chamado Conselho de Paz de Gaza. O conselho é polêmico desde que a ideia foi lançada, já que os europeus temem que as ações não fiquem restritas à reconstrução de Gaza e que acabem criando uma espécie de ONU paralela, sob amplo domínio de Trump.
O presidente americano também se encontra com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para dar continuidade ao plano de paz com a Rússia. Ontem, Trump disse que Putin estaria pronto para a paz. Hoje, o negociador americano do acordo, Steve Witkoff, afirmou que as tratativas avançaram bastante, mas que ainda existe um ponto de divergência, sem entrar em detalhes. Witkoff segue hoje mesmo para Moscou para continuar a costura do acordo.
Europa: Reunião em Bruxelas e sentimento de abandono
Enquanto isso, líderes europeus se reúnem em Bruxelas — sede da União Europeia — em uma reunião extraordinária na tentativa de fechar um consenso sobre como o bloco vai se posicionar diante da era Trump. A Europa se sente abandonada por seu principal parceiro, os Estados Unidos, e agora se vê pressionada pelas posições expansionistas da Rússia, de um lado, e pelos norte-americanos, do outro.
Além disso, há o problema comercial, não apenas com a China, mas também com os Estados Unidos. A Europa enfrenta crescimento estagnado, competitividade de suas empresas sendo colocada à prova e atraso na corrida da revolução da inteligência artificial.
O "tapa na cara" e a questão da Groenlândia
Em seu longo discurso em Davos, Trump fez um balanço do primeiro ano deste segundo mandato, vangloriando-se de seus feitos. Já ao mencionar a Europa, o tom foi outro — discurso que, por aqui, foi comparado a um verdadeiro tapa na cara.
Trump afirmou que o bloco não cresce, que a imigração ilegal transformou vários países e que ele já não reconhece mais a Europa, que teria se descaracterizado. Criticou as políticas da esquerda europeia, disse que a Europa não é grata pelo que os Estados Unidos fazem, como sustentar a OTAN, e afirmou até que, se não fosse pelo seu país, a Europa estaria falando alemão.
Sobre a Groenlândia, reafirmou que o território é essencial para a segurança mundial e que os Estados Unidos querem seu controle, embora tenha dito que não gostaria de usar a força para isso. Ainda assim, à noite, em Davos, Trump anunciou que chegou a um grande acordo com o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, e que não haveria mais necessidade de aumentar tarifas sobre os europeus — acordo que não foi detalhado.
Reações e soberania
A primeira-ministra da Dinamarca já afirmou que está aberta à cooperação econômica, a investimentos na região e à segurança, mas que não abre mão da soberania da ilha.
Muitas das críticas que Trump fez à Europa são as mesmas feitas pela direita europeia, que cresce no continente e critica as políticas da esquerda. Por outro lado, é claro que — como em uma família, em que as pessoas se criticam — quando a crítica vem de fora, ninguém gosta. Resultado: toda a Europa contra Trump.
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