Tudo o que se sabe sobre a morte do delator do PCC
Vinícius Gritzbach foi morto em novembro de 2024 com ao menos dez tiros; policiais foram presos por envolvimento com o crime

A morte de Vinícius Gritzbach em novembro de 2024 culminou na prisão de mais de 20 policiais militares e civis em São Paulo. O empresário, delator do PCC, foi assassinado com mais de dez tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos em novembro de 2024. O crime teria sido encomendado pelo Primeiro Comando da Capital, o PCC, maior facção criminosa do Brasil.
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Antônio Vinícius Lopes Gritzbach, de 38 anos, conhecido no mundo do crime e colaborador da justiça em investigações contra o PCC, foi morto ao chegar de viagem no Terminal 2. O caso levantou questionamentos e gerou mobilização de autoridades e especialistas em segurança pública.
No momento em que foi assassinado, o empresário carregava R$ 1 milhão em joias dentro da bagagem. O valor seria para o pagamento de uma dívida. Os seguranças que o escoltavam – policiais militares da ativa – foram afastados de suas funções.
Quem era Antônio Vinícius Lopes Gritzbach?
Antônio Vinícius Lopes Gritzbach acumulava um histórico de envolvimento com o crime organizado. O empresário atuava no setor de lavagem de dinheiro da facção, segundo investigações do Ministério Público de São Paulo. Gritzbach teria ajudado a colocar no mercado formal até R$ 2 bilhões oriundos do crime.
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Com informações valiosas e detalhadas sobre as operações do PCC, incluindo a rede de contatos e origem de dinheiro ilícito, o empresário tornou-se uma peça importante para a polícia e para o Ministério Público. Contudo, a exposição de seu nome como delator aumentou os riscos que enfrentava, e várias ameaças foram registradas desde as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta, o “Cara Preta”, e Antônio Corona Neto, o “Sem Sangue”, foram executados em uma praça do Tatuapé, na zona leste de São Paulo, no dia 27 de dezembro de 2021.
O empresário, inclusive, chegou a relatar que sofreu um atentado no Natal do ano passado em sua casa. Gritzbach vinha sendo investigado pelas mortes dos dois, mas negou ser o mandante dos crimes.
Apesar das medidas de proteção oferecidas pelo programa de delação, ele não estava sob custódia direta das autoridades no momento de sua morte por não querer ingressar no programa.
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Única entrevista
Em entrevista ao Domingo Espetacular, concedida em fevereiro deste ano, Gritzbach falou sobre as tentativa de homicídio que sofreu e sua relação com o PCC. Segundo ele, inicialmente, não sabia que estava lidando com criminosos e que apenas intermediava algumas negociações de pessoas poderosas que se passavam apenas como "grandes empresários".
"Eu intermediei a venda de alguns imóveis para clientes que batiam em minha porta. Se fiz algo errado, que eu pague. Fiz intermediações de forma ilícita que eram praxe de mercado. Vendia um imóvel em um valor e dava outro na escritura", explicou.
Durante a entrevista ao jornalista Roberto Cabrini, ele foi questionado sobre a origem do dinheiro. Segundo ele, seus bens estavam avaliados em aproximadamente R$ 19 milhões e que tinha como comprovar tudo o que tinha em sua mansão. No entanto, não soube especificar qual a porcentagem que tinha vindo do crime organizado.
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"Fica em aberto, eles sempre se passaram por empresários, nunca disseram que eram criminosos", disse na ocasião.
Outras vítimas do ataque no aeroporto
Além de Gritzbach, outras três pessoas foram atingidas. Entre eles estava o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, de 41 anos. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu e faleceu no dia seguinte. Seu corpo foi enterrado em um cemitério de Guarulhos, na Grande São Paulo.
A cerimônia de sepultamento teve a presença de amigos e familiares. A esposa da vítima, Simone Novais, reclamou da falta de apoio do poder público:
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“Quero justiça. Estou revoltada. Ninguém, ninguém, nem para dar ‘meus sentimentos’. Vocês [imprensa] que vieram me dar ‘sentimentos’. Do Aeroporto, Governo...pensei que um policial viesse perguntar, já que normalmente eles vêm, né? Nada, ninguém falou nada.”
No momento do crime, quatro PMs da ativa faziam a segurança particular de Gritzbach, mas somente um estava na hora do ataque; o carro dos outros teria quebrado no caminho. Os policiais militares tiveram os telefones celulares apreendidos.
Namorada de Vinícius Gritzbach
Além dos PMs que faziam a segurança dele, o empresário estava acompanhado da namorada, Maria Helena Paiva, de 29 anos. Ela é influenciadora digital, com mais de sete milhões de curtidas no TikTok, e mais de um milhão de seguidores no Instagram.
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Eles estavam juntos desde julho de 2023 e estavam voltando de Maceió no momento do atentado. Segundo a Polícia Civil, ela relatou que foi ela quem planejou viajar para o estado de Alagoas.
Durante o depoimento, Maria Helena também contou que presenciou algumas ligações de Gritzbach contando que estava sendo ameaçado de morte. Agora, a polícia apura possível envolvimento da namorada de delator do PCC com o crime organizado.
Quem matou e quem mandou matar Gritzbach?
Em janeiro de 2025, o responsável por atirar em Gritzbach foi preso. Ele seria um policial militar da ativa e envolvido com o PCC. Mas logo após a morte de Vinícius Gritzbach, vários policiais foram presos ou afastados das funções por suspeita de envolvimento com o crime.
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Em 11 de novembro de 2024, oito policiais militares foram afastados suspeitos de envolvimento. Além disso, dois delegados foram afastados de suas funções. Já em dezembro, uma operação resultou na prisão de quatro agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), incluindo o delegado Fábio Baena e o chefe de investigações Eduardo Monteiro.
Com a prisão de Monteiro, a chefe da Corregedoria da Polícia Civil caiu. Rosemeire Monteiro de Francisco Ibañez era tia do policial e foi demitida para garantir a isenção das investigações, reafirmando o compromisso da corporação com a legalidade e transparência.
A polícia identificou logo dois dos três suspeitos do atentado no aeroporto. São eles: Kauê Amaral Coelho, olheiro que acompanhou os últimos passos de Gritzbach e deu sinal para os executores, e Mateus Augusto Castro Mota, que teria fornecido os carros usados no crime. O terceiro suspeito ainda não foi identificado.
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Já o mandante trata-se de um criminoso com passagens por homicídio e tráfico de drogas, também ligado com o PCC. Este mandante seria parente de um dos envolvidos nas morte de Gritzbach e ligado ao "Cara Preta" e ao "Sem Sangue", assassinados em 2021.
Ele chegou a ser preso de 2013 e vinha sendo acusado pelo empresário de ter participado do sequestro dele em janeiro de 2022.
Em março, o Ministério Público denunciou seis pessoas à Justiça por homicídio qualificado, com motivo torpe, emprego de arma de fogo e emboscada. A promotoria pública também pediu pagamento de reparação por dano moral coletivo e dano social em valor não inferior a R$ 1 milhão para cada denunciado, como também indenização para sobreviventes e para famílias enlutadas.
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Foram denunciados os PMs Denis Antônio Martins, Ruan Silva Rodrigues e Fernando Genauro da Silva e os integrantes do PCC Kauê do Amaral Coelho (Jub), Diego dos Santos Amaral (Didi) e Emílio Carlos Gongorra Castilho (Cigarreira). O MP aponta que os policiais militares Denis, Ruan e Fernando se aliaram ao PCC para cometer o crime contra Gritzbach e que Emílio, Diego e Kauê, já ligados ao crime organizado, promoveram o assassinato como algo típico do grupo criminoso. Denis e Ruan seriam os responsáveis pela execução do delator, enquanto Fernando, que frequentava a casa da vítima, recebeu a missão de conduzir o veículo para propiciar a fuga dos atiradores após a execução. Kauê, que é primo de Diego, seria o olheiro para o assassinato ser feito, enquanto Emílio e Diego auxiliaram o olheiro em sua missão de monitorar o empresário até o crime.
