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UE deve classificar Guarda Revolucionária do Irã como terrorista

Diplomacia europeia eleva tom contra repressão a manifestantes; Trump posiciona porta-aviões na região e ameaça de bloqueio no Estreito de Ormuz coloca mercado de petróleo em alerta

Da redação
DA REDAÇÃO

29/01/2026 • 08:26 • Atualizado em 29/01/2026 • 08:26

Sonia Blota
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União Europeia

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Arquivo/Reuters

A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou, nesta quinta-feira (29) que a organização deve incluir a Guarda Revolucionária Iraniana na lista de organizações terroristas do bloco. A força é vista pela Europa como a principal agente da repressão e do massacre das atuais manifestações no Irã.

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A Guarda Revolucionária Iraniana é uma força militar criada em 1979, logo após a Revolução Islâmica, com a missão de proteger o regime e os valores do aiatolá Khomeini. Diferente do Exército tradicional, ela responde diretamente ao líder supremo do Irã e tem enorme poder político, econômico e militar, atuando dentro e fora do país. Kallas afirmou que "quem age como terrorista deve ser tratado como tal". A medida deve congelar bens de altos funcionários da organização e impedir sua entrada na UE.

O "efeito simbólico" e a pressão militar americana

Além das sanções, a decisão traz um efeito simbólico: pode ser vista como uma espécie de "carta branca" para os americanos atacarem o Irã. A tensão na região continua aumentando. Os Estados Unidos vêm intensificando a pressão com o envio de uma frota composta pelo porta-aviões Abraham Lincoln. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que a frota está "pronta, disposta e capaz de agir com rapidez e violência, se necessário". Os EUA querem que Teerã volte à mesa de negociações sobre seu programa nuclear e acabe com o massacre aos manifestantes.

O Irã respondeu: se provocado, vai se defender como nunca antes visto.

O Estreito de Ormuz e o risco econômico global

Os países vizinhos tentam pressionar os EUA a evitar um ataque, com medo de desestabilização interna em seus próprios territórios e também por questões econômicas, como o possível bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.

Por esse estreito passa 20% do petróleo mundial. No ponto mais estreito, são apenas 33 quilômetros de largura. Países como Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes e o próprio Irã dependem dele para exportar petróleo e gás. A Turquia já reforça sua fronteira com o Irã, temendo as consequências de um ataque norte-americano.

Relatos de horror e repressão interna

Aos poucos, o mundo fica sabendo dos horrores que acontecem dentro do Irã, mesmo com o corte de internet e forte censura. Médicos iranianos estimam que cerca de 33 mil manifestantes foram mortos — número quase dez vezes maior que os oficialmente divulgados. Milhares estão presos e muitos podem ser condenados à pena de morte, a maioria gente muito jovem.

O regime iraniano também está sendo acusado de fazer uma campanha de revanche contra médicos, prendendo os profissionais de saúde que cuidam dos manifestantes feridos sem informar ao governo. Dia a dia, a situação só se agrava e um ataque americano não está descartado.

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