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Um ano da queda do avião da VOEPASS: relembre as vítimas e todos os desdobramentos até agora

Desde junho de 2025, a companhia, responsável pelo voo que matou 62 pessoas, está proibida de operar

Da redação com Estadão Conteúdo e DW
DA REDAÇÃO COM ESTADÃO CONTEÚDO E DW

23/08/2025 • 08:52 • Atualizado em 23/08/2025 • 08:52

Avião da Voepass caiu em Vinhedo-SP, há um ano

Avião da Voepass caiu em Vinhedo-SP, há um ano

Paulo Pinto/Agência Brasil

Um ano após a queda do voo 2Z2283 da Voepass (um ATR-72 com prefixo PS-VPB), o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que apura as causas da tragédia aérea em Vinhedo (SP), ainda não tem o relatório final sobre as causas da tragédia que matou 62 pessoas. No entanto, a empresa está sem poder voar desde junho deste ano.

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Relembre o acidente

Em 9 de agosto de 2024, o voo 2Z2283 da Voepass (um ATR-72 com prefixo PS-VPB) decolou de Cascavel (PR) rumo a Guarulhos (SP) e caiu às 13h22 em um condomínio residencial de Vinhedo, no interior paulista. Todas as 62 pessoas a bordo — 58 passageiros e 4 tripulantes — morreram. Não houve vítimas em solo.

O acidente é o quinto maior em número de vítimas já registrado no espaço aéreo do Brasil e o maior desde que um avião da TAM bateu num galpão ao tentar aterrissar em Congonhas, em 2007, deixando 199 mortos.

Vídeos registrados por moradores mostraram a aeronave em queda livre antes de atingir o solo, num movimento conhecido como "parafuso chato”, usado para descrever quando um avião entra em rotação em torno de seu eixo vertical enquanto despenca. Esse movimento indica que o turboélice ficou em estol – quando uma aeronave perde a sustentação que lhe permite voar.

Segundo o site Flight Aware, que monitora voos em tempo real ao redor do mundo, o avião da Voepass perdeu 3.300 metros de altitude em menos de um minuto. O voo decolou às 11h59 e caiu por volta das 13h22.

Fotografias tiradas no local da queda mostraram a aeronave completamente destruída e em chamas. O turboélice atingiu duas casas do Condomínio Recanto Florido, no bairro Capela. Não houve registro de vítimas em solo.

Aeronave havia sofrido danos

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o turboélice ATR-72 operado pela Voepass foi fabricado pela companhia franco-italiana Avions de Transport Régional (ATR) em 2010 e se encontrava em condição regular para operar, com certificados de matrícula e de aeronavegabilidade válidos. Os quatro tripulantes a bordo estavam devidamente licenciados e com as habilitações válidas, afirmou a agência.

No dia 10 de agosto de 2025, o programa Fantástico, da Rede Globo, revelou que o avião havia sofrido danos em sua cauda durante um pouso em 11 de março deste ano, após uma viagem entre Recife e Salvador.

O avião passou por reparos até julho, quando voltou a operar regularmente. Segundo parecer do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) da Força Aérea Brasileira (FAB), os danos sofridos pelo avião foram leves.

Uma funcionária da Voepass ouvida pelo Fantástico relatou que um dos pneus estourou no momento da decolagem, os pedaços de borracha danificaram o sistema hidráulico e isso atrapalhou o pouso, fazendo com que a cauda do avião colidisse com o solo.

Especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo afirmam que não é possível estabelecer uma relação entre o ocorrido em março e o acidente da última sexta-feira.

A Voepass afirmou que o avião passou por manutenção de rotina na noite anterior ao acidente.

Quem eram as vítimas?

A bordo havia perfis muito diversos: famílias, executivos, representantes comerciais e moradores de diferentes estados. Técnicos do Instituto Médico Legal (IML) concluíram que a causa da morte das vítimas foi politraumatismo, ou seja, todos os ocupantes morreram quando a aeronave atingiu o solo.

Acidente com avião da Voepass matou 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo

Acidente com avião da Voepass matou 62 pessoas em Vinhedo, interior de São Paulo

Segundo os profissionais do IML, a carbonização dos corpos foi provocada pela explosão seguida de incêndio após a queda, posterior aos óbitos.

Veja a lista de passageiros:

  1. ROSANGELA SOUZA
  2. ELIANE ANDRADE FREIRE
  3. LUCIANI CAVALCANTI
  4. JOSE FER
  5. DENILDA ACORDI
  6. MARIA AUXILIADORA VAZ DE ARRUDA
  7. JOSE CLOVES ARRUDA
  8. NELVIO JOSE HUBNER
  9. GRACINDA MARINA CASTELO DA SILVA
  10. RONALDO CAVALIERE
  11. SILVIA CRISTINA OSAKI
  12. WLISSES OLIVEIRA
  13. HIALE SCARPINE FODRA
  14. DANIELA SCHULZ FODRA
  15. REGICLAUDIO FREITAS
  16. SIMONE MIRIAN RIZENTAL
  17. JOSGLEIDYS GONZALEZ
  18. MARIA PARRA
  19. JOSLAN PEREZ
  20. MAURO BEDIN
  21. ROSANGELAMARIA DE OLIVEIRA
  22. ANTONIO DEOCLIDES ZINIJUNIOR
  23. KHARINE GAVLIK PESSOA ZINI
  24. MAURO SGUARIZI
  25. LEONARDO HENRIQUE DA SILVA
  26. MARIA VALDETE BARTNIK
  27. RENATO BARTNIK
  28. HADASSAMARIA DASILVA
  29. RAPHAEL BOHNE
  30. RENATO LIMA
  31. RAFAEL ALVES
  32. LUCAS FELIPE COSTA CAMARGO
  33. ADRIELLE COSTA
  34. LAIANA VASATTA
  35. ANA CAROLINE REDIVO
  36. JOSECARLOS COPETTI
  37. ANDRE MICHEL
  38. SARAH SELLALANGER
  39. EDILSON HOBOLD
  40. RAFAELFERNANDO DOSSANTOS
  41. LIZIBBA DOSSANTOS
  42. PAULO ALVES
  43. PEDRO GUSSONDONASCIMENTO
  44. ROSANA SANTOSXAVIER
  45. THIAGO ALMEIDAPAULA
  46. ADRIANA SANTOS
  47. DEONIR SECCO
  48. ALIPIO SANTOS NETO
  49. RAQUEL RIBEIROMOREIRA
  50. ADRIANO DALUCABUENO
  51. MIGUEL ARCANJO RODRIDUES JUNIOR
  52. DIOGO AVILA
  53. LUCIANO TRINDADE ALVES
  54. ISABELLA SANTANA POZZUOLI
  55. TIAGO AZEVEDO
  56. MARIANA BELIM
  57. ARIANNE RISSO
  58. CONSTANTINO THÉ MAIA

Veja a lista de tripulantes:

  1. DEBORA SOPER AVILA
  2. RUBIA SILVA DE LIMA
  3. HUMBERTO DE CAMPOS ALENCAR E SILVA
  4. DANILO SANTOS ROMANO

O que se sabe sobre as causas

A investigação do CENIPA é complexa e multifatorial. Especialistas em aviação afirmam haver a possibilidade de que a queda do avião tenha sido provocada pela formação de gelo nas asas, levando em conta as condições meteorológicas e um acidente parecido ocorrido nos EUA.

A Voepass não descartou essa hipótese, mas não há confirmação até o momento de que os sistemas antigelo do turboélice tenham falhado. Segundo a empresa, a tripulação do voo 2283 sabia que enfrentaria gelo na viagem.

Investigadores também não descartaram a possibilidade, mas afirmam que ainda é cedo para determinar as causas da tragédia.

Voepass não pode mais voar

A ANAC intensificou as ações de fiscalização após o desastre. Em 11 de março de 2025, a agência suspendeu cautelarmente as operações da Voepass por descumprimento de exigências e degradação do sistema de gestão de segurança. A medida acionou uma operação de proteção ao consumidor (Procon-SP) e reacomodações por companhias parceiras.

Em 24 de junho de 2025, após novas auditorias e persistência de falhas, a ANAC cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da Voepass — na prática, o “descredenciamento” definitivo para voos comerciais. A cassação consolidou o encerramento operacional da empresa e atualmente ela não pode mais voar.

A suspensão e a posterior cassação afetaram malhas regionais, slots e milhares de bilhetes — com remarcações e reembolsos viabilizados por meio de acordos com parceiras, sobretudo a Latam (codeshare). A Agência Brasil e a Exame registraram ações para mitigar efeitos em destinos sensíveis, como Fernando de Noronha, além de autorizações emergenciais para resgatar passageiros.

Recuperação judicial

Sob pressão financeira após a suspensão da ANAC, a Voepass pediu recuperação judicial em abril de 2025; decisões judiciais limitaram o alcance do pedido às empresas não operacionais do grupo. Em paralelo, houve determinações trabalhistas de pensão a familiares de tripulantes e reportagens sobre demissões na companhia.

Homenagens às vítimas

Um ano após a tragédia, familiares inauguraram um memorial em Vinhedo e reforçaram a atuação da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283. A mobilização foi criada para cobrar respostas e padrões mais rígidos de segurança.