
Israel
REUTERS/Ronen Zvulun/File Photo
“Nada deve ameaçar o cessar-fogo em Gaza”, diz o presidente Donald Trump. Mas “Israel deve retaliar se seus soldados são mortos”, ele acrescentou. O Hamas matou um sargento da reserva que operava uma escavadeira em Gaza; e Israel retaliou matando 104 palestinos, entre eles 35 crianças, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, que não distingue entre civis e militares.
O cessar-fogo voltou a vigorar às 10 horas locais, cinco da manhã no Brasil. Com mais liberdade para operar, sem o receio de atingir reféns vivos, todos já devolvidos a Israel, a aviação israelense bombardeou 30 postos de comandos do Hamas e grupos afiliados, matando alguns dos seus líderes, pela versão do porta-voz militar em Jerusalém.
O sargento israelense Yoná Efraim Feldbaum enterrava um túnel em Rafah Jenina, no sul de Gaza, dentro das linhas israelenses do cessar-fogo de 17 dias atrás, quando o tiro de um franco atirador palestino o acertou. O Hamas ainda lançou granadas contra as tropas. Foi uma repetição do que aconteceu há nove dias, quando também um soldado morreu e Israel partiu para uma retaliação.
Ao mesmo tempo, o Hamas desenterrava um refém morto, sob a câmara de um drone israelense. A sequência revelou um teatro macabro: era uma representação para acalmar a tensão do governo Netanyahu a ponto de explodir pela falta de 13 dos 28 corpos a ser entregues. Isso depois que, aberto o último caixão enviado pelo Hamas, na segunda-feira, ficou comprovado, por DNA, que a ossada era a de um refém enterrado já duas vezes. A família fará o terceiro enterro.
O Hamas desmentiu o ataque ao sargento e o teatro sobre uma cova no deserto. Disse estar agindo de boa vontade. Mas o morto e o vídeo foram provas passadas para a Casa Branca, que apoiou uma retaliação moderada, cumprida com exagero por Israel, para o qual a lei de talião vale hoje dois olhos por um olho, todos os dentes por um dente. Depois de uma semana com as mãos atadas pelo presidente Trump, o primeiro-ministro Netanyahu pôde ordenar uma “poderosa retaliação”.
O Hamas avisou, nesta quarta-feira, que tem mais dois caixões a entregar. Com a volta do cessar-fogo, pode ser que os entregue esta noite à Cruz Vermelha, que os trará para autópsia em Israel. A segunda fase do acordo de paz de Donald Trump espera a conclusão desta primeira fase, que levou Israel a recuar para uma nova “linha amarela” dentro de Gaza, e o Hamas a libertar dez reféns vivos e 28 mortos, dos quais faltam 13.
A segunda fase será tão ou mais delicada que a primeira, tratando do desarmamento do Hamas, de mais uma retirada de Israel de Gaza e da formação de uma força multinacional para governar dois milhões de palestinos. Os Estados Unidos enviaram 200 soldados burocratas para coordenar os passos do acordo de 20 pontos de Trump – e eles estão estacionados numa base ao sul de Tel-Aviv, em Kyriat Gat. Em uma outra fase, que pode acontecer simultaneamente à segunda, havendo cessar-fogo estável, Gaza começará a ser reconstruída.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, garantiu a repórteres que o cessar-fogo em Gaza será mantido. "Haverá pequenas escaramuças aqui e ali. Sabemos que o Hamas atacou um soldado das Forças de Defesa de Israel. Esperamos que os israelenses respondam, mas acho que a paz negociada pelo presidente será mantida.
Um dado alarmante foi divulgado nesta quarta-feira pelo Centro de Pesquisa e Informações do Parlamento: 279 soldados tentaram o suicídio de janeiro de 2024 a julho de 2025, ou 17% a mais que em 2023, e 45% a mais que de 2017 a 2022. Para cada soldado que se matou, sete novas tentativas foram registradas. Desde 2017 até este ano, 124 soldados se mataram. O aumento das tentativas de suicídios coincide com o aumento da mobilização para a guerra iniciada em outubro de 2023.
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